Londrina – A forte chuva que atingiu Londrina na tarde de ontem provocou momentos de pânico na unidade do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), no Jardim Cafezal (zona sul). A enxurrada arrastou a terra das obras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no viaduto na PR-445 para dentro da escola. Cerca de 100 crianças, algumas cadeirantes, tiveram que ser retiradas às pressas pelos 50 funcionários e uma equipe do Corpo de Bombeiros.
A lama invadiu quase todas as unidades da escola: ginásio de esportes, refeitório, salas de aula e secretarias. A força da água foi tão forte que derrubou o portão dos fundos do prédio. A professora de Educação Física, Carmem Gualhardo, improvisou uma trincheira com terra para isolar um salão. "Tivemos que levar todos para lá, pois foi o único lugar seguro", contou. Apesar do susto, ninguém se feriu gravemente.
A diretora do Ilece Cafezal, Rosângela Rosa da Silva, criticou a falta de um plano de escoamento da água nas obras do viaduto. Segundo ela, uma manilha que dava vazão à água da chuva foi encoberta pelo DER há quatro meses. "Neste período fizemos vários contatos e sempre falavam que iriam resolver, mas nunca fizeram nada", denunciou. Uma equipe de quatro engenheiros do DER esteve no trecho da rodovia para avaliar os danos.
O superintendente do DER em Londrina, José Ferreira Heidegger, anunciou que o órgão já está avaliando a situação. "Foi uma chuva anormal que causou esta situação lamentável. Mas vamos conversar com a diretoria da escola para encontrar a melhor solução para o problema", declarou Heidegger, que se comprometeu a disponibilizar um guarda para vigiar a escola durante a noite. Segundo ele, na manhã de hoje as máquinas devem começar a fazer um canal de escoamento provisório no canteiro central da PR-445.
Os prejuízos ainda não foram calculados. O diretor jurídico do Ilece, Luís Cláudio Andrade Neves, ressaltou que vai cobrar o ressarcimento. "Além das perdas, também vão cobrar melhorias na calçada da marginal da rodovia. Por ali passam alunos cadeirantes que não podem se arriscar passando por pedregulhos e lama", cobrou.

Outros pontos
O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), no Jardim São Jorge (zona norte), também ficou alagado. A chuva causou vários pontos de alagamentos pela cidade. Na Avenida Dez de Dezembro, pelo menos três trechos ficaram temporariamente intransitáveis. Na Duque de Caxias, árvores foram arrancadas por ventos que chegaram a 65 quilômetros por hora.
Nas avenidas Juscelino Kubitschek, Inglaterra, Higienópolis e Tiradentes, e nas ruas que margeiam o Lago Igapó, motoristas e pedestres também tiveram dificuldades para circular. De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, choveu 86 milímetros das 16h às 18h, mais da metade do registrado nos 23 dias anteriores do mês, de 144 milímetros. Desta forma, a média histórica para o mês, que é de 160 milímetros, foi superada diante dos 236 milímetros dos últimos 24 dias.

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