Ribeirão Preto, SP, 4 (AE) - As chuvas intensas na região da Alta Mogiana nos últimos cinco dias devem comprometer a qualidade do café para a próxima safra, afirmam agrônomos da Cooperativa de Cafeicultores e Pecuaristas de Franca (Cocapec), responsável pela comercialização da maior parte do café produzido na região. Segundo o diretor de comercializaçao da Cocapec, Airton Rodrigues Costa, a chuva vai agravar a baixa qualidade dos frutos provocada pela prolongada estiagem no ano passado. Além disso há previsão de quebra de safra de 40%, também por causa da estiagem no ano passado.
Desde a segunda-feira (27) já choveu na região 120 milímetros, mesma quantidade de todo o mês de dezembro. Além do grande volume de água, chuvas mais fortes provocaram a queda de frutos das árvores. "Geralmente, a época de chuvas faz com que percamos entre 2% e 5% dos frutos de uma árvore, mas este ano, a queda tem sido de até 20% dos frutos", disse Costa.
A explicação para o aumento da queda, no entanto, não está somente na intensidade das chuvas. Segundo ele, a causa maior é que os frutos estão enfraquecidos por causa da estiagem. A maior parte ainda está com tamanho entre 3 e 4 milímetros, enquanto em anos anteriores, nesta mesma época, já atingiam até 7 milímetros. "Teremos um fruto de qualidade inferior, o que pode comprometer a fama da região na exportação de cafés especiais", diz.
A Cocapec aconselha produtor a adiar venda de café. O diretor de comercialização da cooperativa, Airton Rodrigues Costa, disse que o produtor deve segurar o máximo o café. Cerca de 40% das 700 mil sacas produzidas na safra 99 foram comercializadas, segundo ele. A expectativa é de que antes do dia 20 nenhum negócio seja fechado. "O produtor só vai começar a vender seu produto quando o preço atingir entre R$ 250,00 e R$ 280,00, o que compensaria futuras perdas", comentou.
Quebra - A previsão para a região, que no início de 99 era de uma safra de 1,2 milhão de sacas em 2000, já é de quebra de 40%. "Essa é a quebra confirmada, mas acreditamos que isso possa aumentar", disse o diretor de comercialização da Cocapec. Ele afirmou ainda que a maior parte dos produtores está esperando a estimativa do ex-funcionário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Leon Yallouz, sobre a safra brasileira para "se situarem no mercado". "Se a estimativa divulgar uma safra de 32 milhões de sacas, como estão todos esperando, contra as 28,9 milhões de sacas previstas pela Embrapa, o preço vai cair e o produtor vai se fechar ainda mais". Isso provocaria, segundo ele, uma alta de preço, já que existe um volume a ser exportado este mês e que ainda não foi disponibilizado. Dessa forma, a maior movimentação de compra e venda deve ocorrer nos últimos dias de janeiro.