Chuva afasta visitantes dos cemitérios no Dia de Finados
Comerciantes que esperavam lucrar com a venda de flores e velas lamentaram movimento fraco
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de novembro de 2025
Comerciantes que esperavam lucrar com a venda de flores e velas lamentaram movimento fraco

A chuva que começou a cair em Londrina ainda na noite de sábado se estendeu por toda a manhã deste domingo (2) e reduziu consideravelmente o fluxo de visitantes nos cemitérios da cidade no Dia de Finados. Para quem esperava faturar um dinheiro extra com o comércio de flores e velas, o clima frustrou as expectativas.
No Cemitério São Pedro (Centro), o movimento foi fraco durante toda a manhã. A missa programada para as 9 horas foi celebrada, mas pouca gente se dispôs a enfrentar a chuva insistente, que também derrubou a temperatura. A rua principal do cemitério, que liga o portão da rua Alagoas ao portão da avenida Juscelino Kubistchek, ficou praticamente deserta, um cenário bem diferente do que se vê em outros anos, quando a celebração do dia dos mortos acontece sob tempo firme.
Desde que a sua filha faleceu, há 17 anos, a salgadeira Josefina do Carmo Casarotto Moro visita o cemitério todos os domingos e neste, não foi diferente. “Para uma mãe que perdeu seu filho, o tempo nunca passa. Parece sempre que foi ontem. É uma coisa inexplicável. Uma parte sua que deixa de te acompanhar, mas a gente nunca deixa de acompanhá-los”, comentou. “E eu acredito que o Dia de Finados é um dia especial. Se Deus deixou essa data para a gente rezar por quem já se foi, é por alguma razão. Acho muito importante esse dia. Hoje, ainda vou ao cemitério de Cambé, onde tenho outros familiares sepultados.”
Tradição cristã
O Dia de Finados é uma tradição cristã, especialmente da Igreja Católica, que instituiu esse dia como um momento de lembrança e oração pelas almas dos falecidos. A celebração surgiu por volta do século 11, quando monges beneditinos passaram a reservar uma data específica para dedicar orações aos mortos.
Com um guarda-chuva em uma das mãos e as flores e velas em outra, o comerciante aposentado Pedro Sidor cumpriu o ritual anual de visitar os túmulos de sua esposa, pais e avós. Comparecer ao cemitério no dia 2 de novembro, disse ele, é necessário porque é o momento de “agradecer pelo dom da vida”. “O cemitério é um lugar de oração, de memórias e de agradecimento. Temos que agradecer a quem veio antes de nós. Sem eles, nós não estaríamos aqui.”
O corretor imobiliário Hercules Zamariano visitou “uns 20 túmulos” no Cemitério São Pedro, de parentes e amigos. “Os mais antigos aqui são os meus avós, que estão enterrados desde 1949, há 76 anos. Todo ano venho, no Dia dos Pais, Dia das Mães, aniversários. É muito importante vir prestar essa homenagem. Não é porque não estão mais aqui que vamos deixar de lembrar deles.
Comércio
Quem esperava lucrar com o comércio no entorno do cemitério, principalmente com a venda de flores e velas, ficou desanimado. O feirante Arlindo Cândido da Silva trabalha revendendo flores durante todo o ano, mas para o Dia de Finados, fez um pedido maior ao fornecedor. Até a metade da manhã, calculou ele, o volume de vendas havia sido de apenas 20% do total esperado. “Atrapalhou uns 80%. O povo não vem, não sai de casa com chuva. Vamos ver se à tarde dá uma melhorada, quem sabe?”, disse. “A gente quer lucrar, claro, mas se der para pagar o fornecedor, já está bom.”
Todos os domingos, o feirante Heber Ayres de Oliveira trabalha na feira livre que se estende pelas ruas no entorno do Cemitério São Pedro. A barraca de queijos e embutidos fica em frente a um dos portões do cemitério. Como neste ano o Dia de Finados coincidiria com o dia da feira, Oliveira reforçou o estoque de produtos vislumbrando a possibilidade de aumentar as vendas. Mas no final da manhã, ele calculava uma queda de 50% no volume de frequentadores na comparação com um dia comum de feira com tempo bom. “No Dia de Finados sempre chove mesmo, mas hoje está chovendo mais do que o normal. A chuva atrapalhou o comércio, mas fazer o quê? Os queijos que eu comprei a mais pensando em revender hoje não vão ser perdidos. Só perdi as vendas mesmo.”
Previsão do tempo
Segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), a chuva deve permanecer durante boa parte da tarde deste domingo em Londrina, sendo o maior volume esperado por volta das 16 horas, quando o índice pluviométrico deve ser de 1,9 milímetro. A partir das 17 horas, a previsão do serviço de meteorologia é que a chuva pare. A temperatura não deve passar dos 26 graus.
Leia mais:
Horário de visitação
A Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários) calculava receber mais de 150 mil pessoas nos 13 cemitérios da cidade entre sábado e domingo, sendo cinco na área urbana e oito nos distritos rurais. Em nove deles, estavam programadas missas, que foram mantidas, apesar da chuva e da pouca participação dos fiéis. No Jardim da Saudade (zona norte), a missa está marcada para as 15 horas.
Neste domingo, os cemitérios foram abertos à visitação às 8 horas e os portões serão fechados às 18 horas. Servidores da Acesf estão de plantão em todos os 13 cemitérios para prestar atendimento ao público. Além das orientações sobre o descarte correto de embalagens plásticas, os funcionários também ajudam os visitantes na localização de jazigos.
Quem pretende levar flores aos cemitérios, a Acesf ressalta que só é permitida a entrada com flores naturais e sem a embalagem plástica. Plantas artificiais são proibidas para evitar o acúmulo de água e a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e de outras doenças. A autarquia reforçou a quantidade de lixeiras no interior dos cemitérios.
Além dos servidores da Acesf, a população pode consultar a localização exata das sepulturas pela internet. Para isso, basta acessar o site da autarquia (www.acesf.londrina.pr.gov.br), clicar em “Serviços” e selecionar “Local de Sepultamento”, informando o nome completo da pessoa falecida. Essa consulta também está disponível por meio do serviço de georreferenciamento desenvolvido pelo Siglon da Prefeitura de Londrina, que permite fazer a busca pelo nome do falecido, data do óbito ou número da quadra do jazigo.
Rolândia
Nos cemitérios municipais de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), os visitantes receberam orientações dos agentes de endemias para combate à dengue. No cemitério central, a Secretaria Municipal de Saúde realizou um trabalho educativo e de orientação aos visitantes.
Os agentes explicam sobre os objetos que podem servir como criadouros do mosquito transmissor da dengue e orientam os visitantes a depositarem nas lixeiras embalagens e sacolas plásticas. Os cemitérios de Rolândia ficarão abertos para visitação pública até as 19 horas deste domingo.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.





