Londres - Os documentos confidenciais desarquivados ontem na Grã-Bretanha mostram também como o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, tentou em 1943 marginalizar o líder da França livre, Charles De Gaulle.
‘‘Devemos nos preocupar com que a direção do movimento de resistência francês não caia nas mãos de De Gaulle a partir daqui (Londres)’’, escreve Churchill em nota datada de 19 de junho de 1943. ‘‘Do contrário, utilizará esse poder para promover suas próprias ambições políticas, não o esforço de guerra aliada’’, acrescenta.
Churchill pede à direção de Operações Especiais (SOE) – que criou em julho de 1940 – para lhe submeter idéias de apoio à resistência francesa, mas ‘‘sem conceder nenhuma participação real a De Gaulle e às pessoas ligadas a ele, de tal maneira que não receba nenhuma soma em dinheiro’’.
A SOE responde a Churchill informando que ‘‘a resistência francesa organizada na França está agora totalmente atrás de De Gaulle, a quem considera o símbolo da luta contra o inimigo e o símbolo da democracia’’.
Os documentos revelam ainda que Londres lançou de pára-quedas víveres e equipamentos para mais de 100.000 pessoas durante a preparação da invasão da Normandia, no final da Segunda Guerra Mundial. Os serviços secretos britânicos haviam programado 186 operações desse tipo em fevereiro de 1944, mas as nuvens e a atividade antiaérea nazista só permitiram a realização de 47 lançamentos bem-sucedidos.

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