Chrysler e Mercedes poderão usar fábricas em comum
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 13 (AE) - A fábrica do carro modelo Classe A, da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora (MG), poderá abrigar linhas de montagem de modelos da Chrysler. Da mesma forma, uma planta de modelos Chrysler, como a de Campo Largo (PR), poderá fabricar automóveis Mercedes. O aproveitamento físico das fábricas das duas marcas é umas das questões que está sendo estudada pela equipe que cuida da sinergia mundial, que resultou na DaimlerChrysler. Em entrevista exclusiva à AGÊNCIA ESTADO, o vice-presidente internacional da DaimlerChrysler, Theodor Cunningham, disse que no Brasil a sinergia entre Mercedes e Chrysler estará concluída no final do ano.
A experiência de ter produtos Chrysler e Daimler (o grupo ao qual pertence a Mercedes-Benz) numa mesma fábrica começou este mês na áustria, que estará produzindo utilitários da marca alemã e da americana. Esta primeira experiência dará à empresa idéia de onde a estratégia poderá ser repetida.
Uma equipe de 14 profissionais da DaimlerChrysler está no Brasil para avaliar onde pode ser feita a sinergia. O trabalho envolve a busca de fornecedores comuns e otimização de estruturas, entre outras coisas. Resta ainda a questão legal, ou seja, quando efetivamente todas as operações das duas empresas vão ser chamadas de DaimlerChrysler. Esta semana Cunningham e o novo vice-presidente para a região da América Latina, Mykle Jacobs, estiveram no Brasil para o primeiro balanço desde a fusão, há cerca de seis meses.
Eles já passaram pela Venezuela e seguiram para a Argentina para o mesmo objetivo. No Brasil, a companhia tem a fábrica nova da picape Dakota, da Chrysler, no Paraná, que consumiu investimento de US$ 315 milhões, a do Classe A, em Minas - com investimento de cerca de US$ 750 milhões - e está construindo uma planta de motores, também no Paraná, a Tritec, na qual serão gastos pela empresa mais US$ 250 milhões. Nesta fábrica foi feita joint-venture com a BMW, que aplicará outros US$ 250 milhões.
"Esta viagem foi nosso primeiro contato com a nova família", disse Cunningham. Ele confirmou que até o final do ano será atingida, a nível mundial, a economia que a companhia planejou atingir com a fusão, equivalente a US$ 1,3 bilhão.
Crise - Os executivos da direção mundial da DaimlerChrysler se entusiasmaram com o discurso que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez nos Estados Unidos. Jacobs disse estar convencido que os problemas da economia brasileira não são uma crise de longo prazo, "como inicialmente se pensava". Ele reiterou a decisão da empresa de manter investimentos na América Latina visando o longo prazo.
Segundo Cunningham, o Brasil representa para a companhia o país de maior volatilidade entre os que abrigam operações da empresa. "Mas apesar dos altos e baixos, o resultado final é uma reta de crescimento", destacou. "Por isso, nós vamos fazer nossos negócios crescerem nessa região", completou. Tanto, lembrou, que as vendas da Chrysler em abril passado superaram as do mesmo mês no ano anterior.
A DaimlerChrysler está subsidiando a sua penetração no mercado brasileiro, utilizando taxa de câmbio abaixo do mercado. Nos produtos da Chrysler chega a usar dólar de R$ 1,22. "Não estamos fazendo dinheiro hoje, mas não se pode olhar apenas para o curto prazo", disse Cunningham.
A empresa também enfrenta, no Mercosul, o problema de diferença de custos. O preço da fabricação na Argentina ficou maior com a desvalorização do real. E a maior parte do volume dos produtos produzidos no país vizinho - Cherokee, da Chrysler, e Sprinter, da Mercedes-Benz - vem para o Brasil.
Mas a empresa não alterou seus programas de produção porque espera que algo mude no âmbito da política entre os dois países ou na questão cambial na Argentina. "Esperamos que algo deverá acontecer", limitou-se a dizer Cunningham.
Os executivos da DaimlerChrysler acreditam que o mercado brasileiro este ano deverá somar entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de veículos. Isto vai representar uma queda de 20% na comparação com o ano passado. Mas a maior preocupação dos executivos estrangeiros está relacionada ao excesso de capacidade, Jacobs lembrou que o Brasil já conta com capacidade para produzir 2 milhões de veículos por ano.


