Chove no RS mas número de municípios em situação de emergência continua aumentando
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 17 (AE) - Apesar das chuvas do fim de semana, aumentou para 116 o total de municípios em situação de emergência por causa da estiagem no Rio Grande do Sul. Ontem, as prefeituras de Unistalda e Porto Lucena enviaram os decretos à Coordenadoria da Defesa Civil do Estado. No sábado e no domingo, choveu, com maior ou menor intensidade, em praticamente todo o Estado, o que deu novo ânimo aos agricultores.
Em Cruz Alta, no noroeste do Estado, a precipitação foi de 30 milímetros no fim de semana. No sábado, em Passo Fundo, maior cidade do Planalto Médio, choveu 24,4 milímetros. Foram registradas chuvas fortes em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, e em Pelotas, no sul. Para amanhã (18), o 8º Distrito de Meteorologia prevê céu nublado com possibilidade de novas pancadas de chuva no norte. Haverá um breve declínio de temperatura, com máxima prevista de 32 graus.
Seca - A estiagem, que começou na primeira quinzena de novembro, afetou basicamente a agricultura. O último levantamento da Emater do Estado, na sexta-feira, indicou uma quebra de 1,4 milhão de toneladas nas safras de milho, soja e feijão. Deste total, 923,5 mil toneladas são as perdas referentes ao milho, especialmente nas regiões noroeste (redução de 48,1% da colheita), Depressão Central (39,6%), Campanha (31%) e Planalto Médio (16,7%).
Recursos - Os agricultores que tiveram prejuízos comprovados com a seca e que tomaram recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) ganharão uma dilatação do prazo para pagar seu débito, confirmou hoje, em Porto Alegre, o ministro interino de Política Fundiária, José Abraão. Ele garantiu que não será contado, para cobrança do empréstimo, o período que vai da semeadura à colheita.
Abraão acenou com recursos de R$ 30 milhões do Pronaf, mais uma linha de crédito do Bansicredi, no valor de R$ 28 milhões, para socorrer os pequenos agricultores. Uma comissão da sua pasta e do Ministério da Agricultura estuda a liberação do seguro agrícola para que possa ser semeada logo a próxima lavoura de feijão e a chamada safrinha do milho.
O ministro interino fez estas declarações após encontro com o presidente da Regional Sul-3, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Mário Stroher, e com o bispo de Vacaria (RS) e ex-presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Orlando Dotti. A direção regional da CNBB reuniu-se com Abraão, na Cúria Metropolitana, preocupada com as dificuldades da agricultura familiar e da reforma agrária no Estado.


