São Paulo, 08 (AE) - Depois de vários dias secos e poluídos neste inverno atípico, hoje voltou a chover na capital paulista, ainda que de forma tímida, pondo fim a uma estiagem que se arrastava desde 16 de agosto. A meteorologia prevê chuva forte para amanhã (09), algo que não acontece na cidade há 66 dias.
Com a estiagem e a poluição dos últimos dias, a garoa de hoje teve uma recepção inusitada na cidade: foi recebida de braços abertos, como uma bênção. "Milhares de pessoas estavam esperando por esta chuvinha; pena que foi muito pouca", disse o motorista de táxi Lino Francisco Xavier.
Mesmo quem teve a rotina atrapalhada pela chuva, como o motoboy Severino dos Santos, fez questão de aplaudi-la. "É ruim dirigir molhado, mas a gente a gente não sobrevive sem chuva."
Cetesb - Refletindo a melhoria das condições climáticas, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) não decretou estado de atenção em nenhuma das áreas cobertas por suas 25 estações medidoras de poluição. É a primeira vez que isso ocorre num dia útil desde o início do mês - em setembro já foram registrados estados de atenção 20 vezes na capital e Grande São Paulo.
A qualidade do ar foi considerada má em Vila Parisi, Cubatão, em virtude da alta concentração de partículas inaláveis (poeira em suspensão). Pelo mesmo motivo, o ar teve qualidade inadequada em Guarulhos, São Bernardo do Campo e Cubatão (centro). No restante da rede da Cetesb, a qualidade foi considerada regular (18 estações) ou boa (3).
"A partir de agora os índices de poluição vão cair bem", disse o gerente de Qualidade Ambiental da companhia, Cláudio Alonso. Ele atribuiu o fato de pontos da Grande São Paulo ainda terem qualidade do ar inadequada à falta de ventos, principalmente à noite. Nas 24 horas compreendidas entre 15 horas de terça-feira e o mesmo horário, hoje, houve calmaria ao longo de 17,5% do tempo.
A umidade relativa do ar e a velocidade média do vento na cidade, no entanto, aumentaram. A umidade hoje foi de 32%, o que representa melhora significativa em relação aos saarianos 10 7% registrados em São Caetano na sexta-feira. Quanto à velocidade do vento, o índice subiu do 1,5 metro por segundo verificado nos piores dias da semana passada para 2,3 metros. "Acredito que, até o fim do ano, não teremos mais dias seguidos de baixa umidade, como no início deste mês", afirmou Alonso.
A expectativa da Cetesb é de chuva forte - "chuva com cara de chuva", na definição de Alonso - quinta e sexta, seguida de dois ou três dias de tempo nublado, com chuviscos. "Com isso, haverá renovação e lavagem do ar", disse o gerente. "Em seguida, com a primavera, teremos condições mais adequadas de ventilação e chuvas mais regulares." Como nem tudo são flores, porém, a primavera e sua luminosidade trarão consigo a expectativa de grandes concentrações de ozônio na cidade.

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