Pontianak, Indonésia, 22 (AE-REUTERS) - Os violentos choques étnicos que vêm desestabilizando o arquipélago de Bornéu, na Indonésia, há uma semana deixaram um saldo de 114 mortos e obrigaram milhares de pessoas a abandonar suas casas e buscar refúgio em Pontianak, a capital regional, informaram hoje (22) policiais.
Segundo as fontes, mais de 12 mil pessoas chegaram a Pontianak fugidos da violência no distrito de Sambas, no norte de Bornéu, a cerca de 900 quilômetros de Jacarta.
O conflito opõe a população indígena de Bornéu e os imigrantes da ilha de Madura, a leste de Java. Algumas das vítimas foram decapitadas e há informações não confirmadas sobre atos de canibalismo.
Em Jacarta, o comandante das Forças Armadas da Indonésia, general Wiranto, disse que os militares estão tentando impedir que a violência se espalhe para outras parte do extenso arquipélago.
As forças de segurança estão dando buscas na região, à procura de armas. Muitos dos incidentes envolveram moradores armados com lanças e foices.
O governador de Bornéu, Aspar Aswin, revelou que cerca de 1.300 policiais e soldados foram destacados para conter a violência. Moradores contaram que a situação acalmou-se ligeiramente nesta segunda-feira.
Alguns dos grupos étnicos começaram a usar bandanas de cores diferentes, a fim de se identificar; os malaios usam amarelo e os dayaks, vermelho, contaram testemunhas.
Os dois grupos, que combatem os madureses, iniciaram o conflito na semana passada.
Centenas, talvez milhares, de pessoas morreram ao longo do ano passado em consequência da violência que se espalhou pela Indonésia, onde o agravamento da pobreza expôs a antiga tensão étnica e religiosa.
Um dayak foi visto ostentando a orelha de uma vítima em um colar, enquanto muitos jovens passaram o fim de semana exibindo as cabeças decaptadas de madureses.

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