José Paulo Lacerda/Agência Estado
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ViolênciaO advogado da OAB, Joel Câmara, ferido no confronto com a polícia durante a desocupação da Favela Estrutural, na cidade-satélite de Taguatinga, é socorrido por dois moradores. Ele foi atingido na barriga por uma bala de borracha. Há muita fumaça de gás lacrimogêneo, atirado pelos policiais contra os moradoresUm confronto entre policiais militares e moradores da invasão da Favela Estrutural, no Distrito Federal, terminou com 12 pessoas feridas - uma delas em estado grave - e quatro presos. O conflito começou por volta das 8 horas da manhã de ontem, depois que a presidente da associação de moradores, Marlene Mendes, foi presa ao protestar contra a retirada de 400 invasores de uma área próxima à favela da Estrutural, onde moram em torno de quatro mil pessoas.
A PM usou 1.700 homens para garantir a segurança dos funcionários da Companhia de Terraplenagem do Distrito Federal (Terracap), que faziam a desocupação, mas acabou utilizando parte da tropa para enfrentar outros moradores que protestavam contra a prisão de Marlene Mendes. O clima ficou tenso por pelo menos seis horas, e por várias vezes os PMs atiraram bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha, após serem apedrejados.
Segundo a PM, oito soldados foram feridos por pedradas e quatro moradores da Estrutural foram encaminhados para o Hospital de Base de Brasília com ferimentos. Um deles, João Evangelista Ferreira, foi internado em estado grave, depois de ser atingido, no rosto, com um tiro de bala de borracha. Segundo a própria PM, ele corre risco de perder a visão, já que teve traumatismo de face grave.
O confronto entre PMs e moradores da Estrutural não poupou nem mesmo o advogado Joel Câmara, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tentava sem sucesso acalmar os ânimos. Ele foi atingido por uma bala de borracha na barriga e por gás lacrimogêneo. Segundo moradores, duas crianças também teriam sido mortas durante a desocupação, mas ninguém conseguiu localizá-las, ou obter informações mais concretas.
Além de Marlene Mendes, que continuava presa até o final da tarde de ontem, outras três pessoas foram detidas na 3ª Delegacia de Polícia. A PM conseguiu identificar pessoas armadas na invasão, mas não as prendeu, para evitar novos confrontos.
A situação só foi controlada depois da chegada dos advogados Paulo Machado e Jomar Moreno, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que negociaram a retirada dos moradores para uma área afastada do pelotão de choque da PM. A Estrutural é a maior invasão de Brasília, onde hoje estão cerca de quatro mil pessoas. Parte da área já está regularizada, mas o governo do Distrito Federal quer impedir novas ocupações, como a que ocorreu esta semana e que provocou o confronto.

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