Choque de trens deixa 58 feridos no Rio
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 10 (AE) - Um choque de dois trens, hoje às 7h25, deixou 58 pessoas feridas na estação de São Cristóvão, na zona norte do Rio. Uma composição que seguia de Deodoro (zona oeste) em direção à Central do Brasil (centro) bateu de frente com outra que seguia para Santa Cruz (zona oeste). Como os trens estavam em baixa velocidade não houve feridos graves.
A Supervia, concessionária do sistema ferroviário, e o sindicato da categoria divergem sobre a causa do acidente: os ferroviários alegam defeito no sistema de sinalização, mas a empresa alega falha humana.
A composição do ramal de Deodoro estava lotada. O maquinista Ivo dos Santos, de 36 anos, reduzia a velocidade para parar na estação de São Cristóvão quando viu o trem que ia para Santa Cruz. Esta composição, de acordo com sindicalistas, deveria estar em um trilho paralelo, pois não pára na estação. "Trem não é como carro; o maquinista é jogado de um trilho para outro pelo centro de controle", afirmou o deputado federal Carlos Santana (PT), diretor so Sindicato dos Ferroviários.
A superintendente de Comunicação Corporativa da Supervia
Ivone Malta, afirmou que o trem de Santa Cruz estava no trilho correto e que Ivo dos Santos deveria ter esperado na estação anterior. "O motivo de ele ter se adiantado vai ser perguntado durante a sindicância; a sinalização está perfeita", disse.
Com o impacto da batida, os passageiros que estavam em pé foram arremessados contra as paredes do vagão. Houve pânico. Quando as portas abriram, alguns se jogaram na linha férrea. Feridos levemente foram atendidos na própria estação pelo Corpo de Bombeiros e os que precisavam de maiores cuidados, removidos em ambulâncias para o Hospital Souza Aguiar.
A funcionária pública Sandra Maria dos Reis, de 40 anos, teve uma contusão na coluna. "Fui jogada na parede e as pessoas caíram em cima de mim", contou. A amiga dela, a revisora Ana Helena de Oliveira, de 30 anos, ficou em estado de choque. "Só chorava e tremia; vi muita gente ensanguentada", disse.
A supeintendente da Supervia informou que 37 pessoas ficaram feridas, apesar de ter visitado o Hospital Souza Aguiar, onde 47 foram atendidas. Ela providenciou a transferência do maquinista Ivo dos Santos, que teve escoriações e chorava muito, para uma clínica particular. Ele foi retirado do hospital em segredo, para evitar que falasse com os repórteres . Outras quatro pessoas também foram removidas. O maquinista Antônio Lopes, do trem de Santa Cruz, nada sofreu.
Perícia - O deputado federal Carlos Santana acusou a concessionária de ter retirado do local do acidente- meia hora depois da batida - o trem do ramal de Santa Cruz para prejudicar a perícia. "Fui ferroviário por 22 anos e é a primeira vez que eu vejo isso", afirmou. "Eles querem evitar que se prove a falha mecânica". Segundo Ivone, a Supervia fez a perícia e o laudo estará pronto em 15 dias.
O deputado cobrou providências de representantes da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos (Asep). "Estamos esperando o relatório da Supervia e em 48 horas teremos uma avaliação preliminar", afirmou o conselheiro da Asep José Drumond Saraiva. Ele reconheceu que o órgão não tem "radiografia completa" do sistema ferroviário, mas informou que vai convocar uma audiência pública para discutir a questão.


