Choque anafilático pode atingir qualquer um
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terça-feira, 26 de dezembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Ninguém está livre de sofrer um choque anafilático, afirma o dermatologista e socorrista do Hospital da Zona Norte (HZN) Luiz Roberto Serrano. É uma constatação assustadora, uma vez que não raro essa reação leva à morte. Foi o que aconteceu com o empresário de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) Valdecir Aparecido Gibim, 56 anos, que não resistiu ao ataque de um enxame de abelhas durante uma pescaria, na última terça-feira.
O choque anafilático é uma reação aguda do próprio sistema imunológico. Pode ser provocado por qualquer substância à qual o indivíduo seja alérgico, até uma inocente salsicha, explica Serrano. O problema é que as alergias são imprevisíveis: o indivíduo só descobre que é sensível a um determinado produto quando o consome. Além disso, podemos passar boa parte da vida sem ter problemas com certas substâncias e, de um dia para outro, desenvolver alergia a elas.
Segundo o dermatologista, tudo que nos cerca pode provocar alergia. Poeira, roupas, produtos de higiene, cosméticos, alimentos principalmente os industrializados, que contêm corantes e conservantes. No caso do choque anafilático, os vilões mais comuns são medicamentos. No topo da lista, Serrano cita penicilina, dipirona, sulfas (remédios quimioterápicos, semelhantes a antibióticos), antidiabéticos orais e tranqüilizantes. Ele observa que o choque por anestésicos já não é tão comum como se imagina.
O grupo dos insetos também está cheio de ameaças. Além de abelhas, vespas, marimbondos e outros voadores conhecidos pelas dolorosas picadas, singelos pernilongos podem provocar a reação anafilática. Um único inseto basta para causar o choque. Não é a quantidade de veneno que importa, salienta.
Em questão de minutos ou segundos, a pessoa acometida pela reação sente a garganta se fechar e tem dificuldade para respirar. Ela começa a ficar roxa, sente formigamento nos pés e mãos, e vai sufocando até que entra em coma, detalha o médico, que já atendeu vários desses casos no pronto-socorro do HZN. Sem atendimento, a vítima tem poucas chances de sobreviver. No hospital, os médicos fazem uma abertura na traquéia do paciente para que ele possa voltar a respirar. Ele pode ter seqüelas dependendo do tempo que levar para ser atendido, devido à falta de oxigenação do cérebro, alerta.
A anestesia geral oferece menos riscos aos alérgicos do que a local, explica, justamente porque o paciente costuma ser entubado para fazer uma cirurgia. Mesmo que tenha uma reação à substância utilizada, ele não terá dificuldade para respirar, já estará salvo de qualquer maneira, comenta.
Infelizmente, é impossível saber tudo o que pode causar um choque anafilático em cada indivíduo. A única forma de prevenção ainda que parcial é ficar atento ao próprio histórico de alergia e sempre informar aos médicos se há sensibilidade a algum tipo de medicamento. Os testes alérgicos são complexos e recomendados apenas a quem já tem uma história clínica importante, diz.


