Chocolate, uma paixão milenar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de julho de 2002
France Presse 
Paris - A paixão dos homens pelo chocolate remonta a 2.600 anos, ou seja, quase um milênio a mais do que se acreditava até agora, afirmam cientistas norte-americanos, que realizaram uma pesquisa nesse sentido em peças maias na América Central.
Os cientistas, cujos trabalhos foram publicados ontem na revista cientista britânica Nature, utilizaram técnicas sofisticadas de análises (cromatografia líquida, espectografia de massa) para buscar vestígios de cacau nas peças (taças, jarros, pratos) procedentes das tumbas do sítio arqueológico maia de Colha (Norte de Belize).
Esses exames permitiram detectar teobromina (Theobrama cacao), substância que, das plantas dessa região do mundo, é encontrada somente no cacau, produto composto de 500 substâncias diferentes.
As 14 peças estudadas datam do período compreendido entre 600 AC e 250 DC. A presença de cacau em três dessas peças indica que sua utilização é ''cerca de um milênio'' anterior ao que até agora podia ser demonstrado, acrescentam.
Essa pesquisa foi realizada por Jeffrey Hurst, do Hershey Foods Technical Center da Pensilvânia (Hershey é uma marca de chocolate) e por uma equipe de cientistas do departamento de Antropologia da Universidade do Texas.
Os povos mesoamericanos eram grandes consumidores de cacau, com o qual preparavam bebidas e que utilizavam como ingrediente de numerosos preparos culinários.
''A espuma do chocolate era considerada pelos maias e astecas como a parte mais rica'' da bebida, afirmam os autores da pesquisa, lembrando que costumavam misturar o cacau com diversos ingredientes água, farinha de milho, alho, mel em proporção variada segundo a bebida desejada.
No início do século XVI, Hernán Cortés enviou a Carlos V o primeiro carregamento de chocolate a chegar à Espanha. O imperador apreciou a bebida, que em pouco tempo se tornaria a bebida nacional espanhola.
Um século mais tarde, em 1615, Ana de Austria, infanta de Espanha, se converte em rainha da França ao casar-se com Luis XIII e compartilha com a corte francesa seu gosto pelo chocolate, que com o passar dos séculos se confirmou como uma das grandes contribuições americanas à gastronomia universal.


