Chirac tenta desfazer imagem em favor do protecionismo
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Lourival Santanna 
Rio, 28 (AE) - O presidente Jacques Chirac veio ao Rio com o propósito de desfazer a imagem de vilã que se construiu em torno da França, como o país que lidera a resistência à derrubada do protecionismo no setor agrícola. A campanha dos principais membros da comitiva francesa surtiu efeitos, mas não tem evitado
nas manifestações de participantes da Cimeira, que a França continue na berlinda.
"Participei desse processo e sempre notei a posição pouco generosa da França, principalmente no setor agrícola", confirmou o coordenador do Forum Empresarial União Européia-Mercosul, Roberto Teixeira da Costa, que lidera, do lado brasileiro, a participação da iniciativa privada nas negociações para a liberalização do comércio entre os dois blocos. "Então, alguma procedência deve ter", disse ele, referindo-se à tese de que a França é o núcleo da resistência.
Na entrevista coletiva de hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso deixou escapar que o comunicado conjunto do Mercosul e da União Européia representa a "quase unanimidade". Indagado se isso sugeria que houve resistência, por exemplo, da França, respondeu que "não há objeção de nenhum país", acrescentando que Chirac "deixou muito claro que apóia as decisões tomadas".
Fernando Henrique, porém, agradeceu ao chanceler Gerhard Schroeder os esforços alemães em obter o mandato negociador para a Comissão Européia. Nesse processo, coube à Alemanha dobrar a resistência francesa.
Na noite de domingo, Chirac declarou que "o protecionismo europeu é lenda", lembrando que a França tem déficit de US$ 1,5 bilhão no comércio agrícola com o Brasil e a Argentina. Chirac aproveitou para prever que os países latino-americanos vão ter dificuldades em abrir seus mercados para serviços e produtos industriais, sugerindo que protecionismo não é exclusividade européia.
"Os franceses colocaram, e é natural, os seus interesses e as suas posições negociadoras", comentou hoje o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Celso Lafer. "Nós vamos colocar as nossas." O tom predominante entre os governos, no entanto, é de botar panos quentes. Indagado sobre as declarações de representantes franceses, de que a resistência da França era invenção da Espanha, o chanceler espanhol, Abel Matutes, não aceitou a provocação. "As declarações de hoje de Chirac foram magníficas", disse. "A Espanha e a França estão totalmente sintonizadas."


