Chirac se vê mais isolado do que nunca Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 15 (AE) - Desde a desastrosa dissolução da Assembléia Nacional e a derrota nas eleições parlamentares de 1997 - o que facilitou a volta dos socialistas ao poder na França -, o presidente francês, Jacques Chirac, não se encontrava em tão delicada posição.
A derrota de seu partido, o Reunião pela República (RPR), nas eleições européias de domingo constitui uma catástrofe política para o presidente. O RPR foi superado em votos pela dissidência gaullista, o Reunião pela França (RPF), liderada por seu antigo amigo Charles Pasqua (um resultado que nenhum dos institutos de pesquisa ousou antecipar).
Chirac está mudo desde domingo, fechado em seu palácio. Não fez nenhum comentário sobre os resultados do pleito. Logo ele, que andava tão falante nos últimos tempos, multiplicando suas explicações sobre a participação militar francesa em Kosovo.
A derrota do partido do presidente - que só reuniu 12,7% dos votos, enquanto seus adversários socialistas obtiveram 22% - resulta da implosão da direita moderada francesa, num momento em que na maior parte das nações integrantes da União Européia a direita clássica começa a dar mostras de reação. Com exceção da França e de Portugal, onde a esquerda nada sofreu no pleito, nos demais países a vitória foi dos conservadores e democrata-cristãos.
Desde a dissolução da Assembléia Nacional, há dois anos, a direção do RPR já passou por diversas mãos: Alain Juppé, Philippe Seguin e Nicolas Sarkozy, que hoje jogou a toalha, por causa da derrota de domingo. Desamparado, o chefe de Estado tenta recuperar o apoio de seu antigo primeiro-ministro e fiel amigo Alain Juppé, mas o papel principal, por enquanto, é o de Pasqua, responsável pela segunda força política francesa, pelo menos em número de votos.
Após a reunião de hoje do conselho e bureau político do RPR, nenhuma providência concreta pôde ser adotada, pois Alain Juppé deve esperar uma decisão da Justiça, dos tempos em que ele dirigia o partido do presidente. Quanto a Pasqua, fortalecido por sua votação, parece irrecuperável pelo partido do presidente, pois já está anunciando a criação de um novo movimento gaullista, esperando atrair muitos deputados do RPR para o RPF.
Depois da derrota, os assessores presidenciais estão sendo diretamente responsabilizados pelos maus resultados. Entre eles, o secretário-geral da presidência da República, Dominique de Vilepin, e mesmo a filha do presidente, Claude Chirac, responsável pela área de comunicação. Essas interferências do Palácio do Eliseu no aparelho do partido já fizeram Pasqua afastar-se e Seguin abandonar o barco no início da campanha.
Afinal, não era fácil para um dirigente anti-Maastricht transformado em aliado dos liberais chefiar uma campanha a favor da Europa do Tratado de Amsterdã. Agora, o presidente está em baixa, mas tem muito tempo para reagir, pois as eleições presidenciais só devem ocorrer em 2002. Até lá, muita água vai passar sob a Ponte Mirabeau.





