Paris, 10 (AE) - O presidente francês, Jacques Chirac, afirmou na noite de hoje (10) durante entrevista na TV que todas as nações que aprovaram a criação do Tribunal Penal Internacional para punir crimes de guerra e contra a humanidade têm o dever, na medida de suas possibilidades, de facilitar ações que permitam julgar o presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, recentemente denunciado por essa corte de Justiça.
Chirac explicou que isso não quer dizer que haverá uma nova guerra, aumentando o sofrimento do povo sérvio só para detê-lo. No entanto, nas condições atuais, Milosevic não pode sequer deslocar-se até Kosovo.
Mesmo não tendo o presidente iugoslavo admitido publicamente sua rendição, Chirac acredita que se trata de uma "verdadeira capitulação". Isso porque "o tirano cedeu em todos os pontos" e por duas razões: de um lado, ele esperava contar com o apoio incondicional dos russos, mas isso não ocorreu; em segundo lugar, apostou na divisão dos países membros da Otan, o que também não aconteceu, frustrando sua estratégia política.
O presidente da França disse também que não existe a menor sombra de dúvida sobre os métodos empregados pelas autoridades sérvias, que não respeitaram os direitos humanos em Kosovo. As informações de que dispõe são mais do que suficientes para fazer essa afirmação. Ele está convencido de que em breve tudo isso virá à tona.
Quanto à eventual queda de Milosevic, Chirac lembrou que esse é um problema dos sérvios, que acabaram envolvidos por um regime inaceitável. Mas uma coisa o presidente francês deixou clara: segundo ele, o problema da reconstrução da região é de responsabilidade da comunidade internacional, à qual a França está associada.
A reconstrução começará por Kosovo. Quanto à Iugoslávia, Chirac disse que a França não ajudará um país que não respeita os direitos do homem. O presidente francês acrescentou que: "Enquanto a Sérvia mantiver um regime dessa natureza não terá nenhuma ajuda internacional para a reconstrução."
Em contrapartida, Chirac garante que Montenegro, mesmo sendo parte da Federação Iugoslava, deverá ser ajudado pela comunidade internacional. Ele mesmo tratou de incluir a presença do presidente montenegrino na reunião da União Européia que deverá definir as modalidades dessa ajuda.
O chefe de Estado francês revelou ainda que durante todo o período dos ataques aéreos, sempre procurou influenciar no sentido de que certas obras de infra-estrutura da Iugoslávia não fossem inteiramente destruídas, tais como pontes, centrais elétricas, etc...
Segundo Chirac, a nação está satisfeita pelo fato de que os pilotos franceses não estiveram envolvidos em nenhuma das 17 operações que constituíram erros da Otan. A França teve importante participação nos bombardeios, com mais de 100 aviões.
O país não se limitou a agir no plano diplomático, tendo feito também no militar, não aceitando a interpretação de que os franceses apenas seguiram os americanos.

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