Chirac quer aproximação com AL
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Reali Junior Agência Estado 
Arquivo FolhaDescuidoO presidente Jacques Chirac admite que, nos últimos 15 anos, a França ausentou-se de países como o Brasil, ao contrário do que fizeram alguns de seus parceiros internacionais como EUA, Alemanha e Japão, que passaram a ocupar uma posição bem mais importante do que a suaPARIS - Mais de três décadas após a viagem histórica de Charles De Gaulle ao Brasil e à América Latina, o presidente Jacques Chirac inicia hoje, por Brasília, um giro semelhante pelos países do continente, mas num contexto inteiramente diverso. Ele será o quarto chefe de Estado francês a visitar o Brasil, depois de De Gaulle, Giscard DEstaing e François Mitterrand, encontrando o País em plena mutação, totalmente redemocratizado, com a inflação sob controle, economia cada vez mais aberta, muito atrativa aos investimentos estrangeiros.
A primeira visita de De Gaulle, em 1964, teve um significado mais político, do homem que representou a resistência à opressão e a luta pelas liberdades. A visita de Chirac tem um aspecto político diverso. Ela antecede de um mês a visita do presidente dos EUA, Bill Clinton, e deixa clara a intenção francesa e da União Européia de aparecer como alternativa para um maior equilíbrio nas relações do Brasil e do continente com os Estados Unidos.
O próprio Chirac tem dito que o interesse da América Latina não é fechar-se na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas abrir-se para o mundo, mesmo mantendo o bom nível de suas tradicionais relações com os países do norte do continente.
Os tempos passaram, a diplomacia política cedeu espaço a uma diplomacia mais econômica e comercial. A França, nos últimos 15 anos muito preocupada com a construção européia, sua principal prioridade, descuidou-se muito de certas áreas emergentes do mundo. Entre elas, a América Latina, ausentando-se de países como o Brasil, ao contrário do que fizeram alguns de seus parceiros internacionais como EUA, Alemanha e Japão, que passaram a ocupar uma posição bem mais importante do que a sua.
Chirac reconhece como grave erro essa ausência do continente sul-americano. A partir de sua eleição, ele tenta recuperar o terreno perdido. De certa forma, pelo menos a etapa brasileira da visita que começa hoje pode ser definida como a da redescoberta do País pelos franceses, mesmo que isso ocorra com certo atraso em relação a países da União Européia da qual faz parte a França - que já se encontram econômica e comercialmente mais enraizados no Brasil.
A visita terá três etapas distintas: política, em Brasília; cultural, no Rio, e econômica, em São Paulo, onde Chirac desembarcará acompanhado de uma centena de empresários, o que atesta seu grande interesse pelo País.


