Chirac nega que França seja protecionista
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sábado, 26 de junho de 1999
Por Mônica Ciarelli, especial para a AE 
Rio, 27 (AE) - O presidente da França, Jacques Chirac, negou que seu país pratique uma política comercial protecionista. "É uma lenda", afirmou Chirac após um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Ele lembrou que a França tem um déficit de aproximadamente US$ 2 bilhões no comércio de produtos agrícolas com o Brasil e a Argentina.
"Esse é um bom exemplo, já que a questão agrícola é um tema delicado", disse. Ele ressaltou que é preciso não se impressionar com a propaganda feita por políticos sobre o protecionismo francês, que, segundo o presidente, não corresponde à realidade. Chirac afirmou que o importante é o fato de os países do Mercosul e a União Européia terem a mesma vontade, de buscar maior integração e parceria.
"A França, assim como a União Européia, a América Latina e o Caribe estão todos determinados a progredir dentro do possível", destacou.Chirac disse estar contente com os avanços alcançados nas negociações entre os países da América Latina e a Europa. "É uma relação que já avançou em todas as direções, econômica, cultural e política".
O presidente Fernando Henrique destacou que o presidente francês está certo ao afirmar que não se muda tradições de uma hora para outra. Segundo ele, a Cimeira é um bom momento para se ampliar as discussões sobre a maior integração comercial entre os países do Mercosul e da União Européia. "A Cimeira mostra que todos os países têm o objetivo de chegar nesse nível, a um mundo de maior prosperidade através da coorperação técnica"explicou.
Após o encontro na Firjan, o presidente francês seguiu para a Academia Brasileira de Letras (ABL) acompanhado de Fernando Henrique. Ele afirmou que a Cimeira é um momento muito importante. "Será um grande sucesso e uma nova etapa da construção de um mundo multipolar", destacou. Na ABL, Chirac acompanhou a entrega do Prêmio Latinidade concedido pela academia francesa e brasileira de letras ao escritor mexicano Carlos Fuentes. Ele recebeu um cheque de 80 mil euros, aproximadamente R$ 74 mil, além de um troféu e um diploma.


