Chirac nega imagem protecionista e responde às críticas
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 29 (AE) - O presidente da França, Jacques Chirac, voltou hoje a negar a imagem de protecionista de seu país e do conjunto da União Européia (UE). "A Europa não é uma fortaleza, mesmo no setor agrícola", disse, em entrevista antes de embarcar de volta à França. Chirac citou que a América do Sul exporta dez vezes mais produtos agrícolas para a Europa do que para os países do Nafta - Estados Unidos, Canadá e México. "Não vamos continuar a afirmar o que é notoriamente falso", disse.
Ele disse que não só a França, mas toda a UE, decidiu deixar de fora a expressão "área de livre comércio" do comunicado conjunto sobre as negociações com o Mercosul, divulgado ontem (28). O termo designa, pelas normas da Organização Mundial de Comércio (OMC), acordos que se estendam a pelo menos 90% dos produtos e o Itamaraty admitiu que a expressão ficou de fora para não haver problemas mais tarde, caso os dois blocos não atinjam esse porcentual.
"Toda a Europa afirmou este ponto de vista", afirmou Chirac. "Queremos avançar com segurança, de maneira ordenada e chegaremos a uma área de livre comércio devagar, sensatamente". Ele lembrou que a América do Sul também tem interesse em assegurar proteção para produtos industriais e serviços. O presidente francês fez questão de ressaltar a importância do Mercosul para a UE, dizendo que o bloco do Cone Sul faz o papel da União Européia na Europa.
Investimentos - Chirac não comprou a provocação feita pelo presidente de Cuba, Fidel Castro, que em discurso hoje apontou Kosovo e o Leste Europeu como as prioridades da UE . "O que vai restar para a União Européia para investir na América Latina e Caribe?", questionou Fidel. O presidente da França disse que a Europa é o maior investidor na América Latina. "Ainda restam alguns meios para investirmos aqui", ironizou.
A criação de um imposto sobre capitais voláteis, mencionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como uma forma de controlar os fluxos financeiros internacionais, não tem o apoio de Chirac. "Não sou favorável a uma taxa que não parece ser tecnicamente possível", disse ele, que, no entanto, admitiu discutir a proposta. Chirac reafirmou a posição francesa no G-7 - o grupo dos países mais ricos - de promover uma reforma no Fundo Monetário Internacional (FMI). "Nossa proposta é a de que o comitê provisório do fundo seja transformado num conselho politicamente responsável", descreveu.
Como o autor intelectual da idéia da Cimeira - o encontro surgiu de uma sugestão sua ao presidente Fernando Henrique, numa visita ao Brasil, há dois anos -, Chirac fez um balanço positivo da reunião. Para ele, os pontos altos foram os acordos da UE com o Mercosul e com o México e a troca de idéias, nos encontros bilaterais, com governantes latino-americanos. Ele contou que reuniu-se duas vezes com o presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, para conversar sobre guerrilha e democracia. Com o presidente do Chile, Eduardo Frei, a pauta foi econômica e girou em torno do interesse francês em ganhar o mercado de águas de Santiago.


