Paris, 27 (AE-AP) - O presidente da França, Jacques Chirac, condenou hoje (27) as declarações do primeiro-ministro Lionel Jospin classificando como "terroristas" as ações das guerrilhas do grupo islâmico Hezbollah contra tropas israelenses no Sul do Líbano. Uma fonte do governo francês relatou que Chirac telefonou para Jospin e chamou a atenção do primeiro-ministro para o "delicado equilíbrio" da França em seu apoio a Israel e ao mundo árabe.
"Colocar essa imparcialidade em dúvida irá impor um retrocesso à credibilidade de nossa política externa e à capacidade da França em promover a paz", disse Chirac.
Foi a primeira vez que Chirac e Jospin entraram em conflito de forma tão evidente desde que os dois começaram a compartilhar o poder na França, há três anos. Jospin abreviou sua visita ao Oriente Médio ontem depois que estudantes da Universidade Bir Zeit, na Cisjordânia, o apredejaram, em retaliação contra suas declarações.
Os estudantes qualificaram de "terrorista" o primeiro ministro israelense Ehud Barak, e descreveram Jospin como seu cúmplice. "De Bir Zeit até Beirut, somos um só povo!", gritavam enquanto apedrejavam e chutavam o carro de Jospin.
O primeiro-ministro dirigiu-se mais tarde a Gaza, onde conversou com o presidente palestino Yasser Arafat, que condenou os episódios de violência. Jospin respondeu afirmando que o incidente não afetaria as relações palestino-francesas e dizendo que veio à Palestino "como amigo" de seu povo e de seu líder.
Suas declarações provocaram uma onda de críticas no mundo árabe, além de seu próprio país.
Em Beirute, o líder do grupo Hezbollah, o xeque Naeem Kassem, exigiu hoje que o primeiro ministro se desculpe por suas declarações.
Segundo Kassem, isso terá que ser feito antes que Jospin visite o Líbano, onde, segundo ele, o premiê não é bem-vindo.
O Hezbollah se considera a cabeça da resistência contra a presença de Israel naquela região desde 1978. O Líbano também divulgou um protesto oficial contra as declarações do ministro francês e convocou o embaixador francês no país para expressar formalmente sua queixa.
"Jospin não é mais bem-vindo no Líbano e espero que ele não pense em visitar o país até que apresente uma desculpa clara pelo insulto que dirigiu á resistência e ao povo libanês, ferindo os sentimentos das crianças, mulheres e dos feridos que sofrem com aocupação sionistas", afirmou o xeque.
A aviação israelense atacou hoje no sul do Líbano diversas bases do Hezbollah, que detonara anteriormente uma bomba em uma estrada, ferindo três milicianos pró-Israel, informaram fontes de segurança libanesas. os aviões atacaram pouco depois do atentado ocorrido às 11 da manhã locais, em uma estrada próxima de Marjayoun, a principal aldeia na zona de segurança de 12 km ocupada por israel.
Um porta-voz do hezbollah disse em Beirute que os guerrilheiros detonaram a bomba durante a passagem do veículo de um comandante do Exército do Sul do Líbano. "Todos os ocupantes foram atingidos", acrescentou.
Funcionáiros libaneses confirmaram que três milicianos do ESL ficaram feridos. Em Jerusalém, o gabinete israelense realizou uma nova reunião para debater quando e como o retirar seu exército do Líbano

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