Chirac anuncia ajuda dos países ricos
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Agência Estado De Paris 
Os sete países mais ricos do mundo vão relançar o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais Brasileiras, conhecido como PP-G7, na reunião que ocorrerá em julho, em Okinawa, no Japão. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da França, Jacques Chirac, durante almoço no Palácio do Eliseu com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o Itamaraty, o programa, que havia sido lançado em 1991, um ano antes da Conferência Mundial para o Meio Ambiente, a Eco-92, no Rio de Janeiro, prevê investimentos na Amazônia de cerca de US$ 308 milhões.
Há muito tempo adotamos a decisão de apoiar o projeto (de proteção da floresta amazônica), mas não fizemos isso até agora, reconheceu Chirac, em entrevista, ao salientar a necessidade de os países desenvolvidos apoiarem este programa. Devemos apoiar sua ação em favor da floresta amazônica pois esse é o interesse, naturalmente do Brasil, mas também do planeta, prosseguiu Chirac.
Não podemos deixar o governo brasileiro sozinho, disse Chirac, à saída do palácio, ao lado de Fernando Henrique, acrescentando que a França vai trabalhar para que os esforços do governo brasileiro, na proteção da floresta amazônica, tenham maior apoio da comunidade internacional. Os dois presidentes discutiram ainda a ampliação das relações entre o Mercosul e a União Européia e os próximos passos a serem dados para que se avance no acordo entre os dois blocos econômicos.
Fernando Henrique cumpriu ontem os últimos compromissos oficiais na França, depois de uma semana de viagem à Europa, que incluiu ainda visitas a Hannover e Berlim, na Alemanha. O seu regresso ao Brasil está previsto para a madrugada de hoje. A agenda de ontem incluiu ainda um jantar com o primeiro-ministro francês Lionel Jospin, no Palácio de Matingnon.
Ao confirmar o anúncio sobre o relançamento do PPG-7, Fernando Henrique disse tratar-se de um projeto de apoio ao governo do Brasil, para preservação das populações da Amazônia e a floresta. Ele ressaltou que o relançamento do programa será sempre feito em colaboração com o governo brasileiro. De acordo com FHC, o governo brasileiro vai ser o principal meio receptador de recursos para proteger a Amazônia.
Além de aumentar as relações entre Mercosul e União Européia, Brasil e França querem também estreitar os laços entre os dois países, por intermédio da Guiana Francesa, que faz fronteira com o Estado do Amapá, no norte do Brasil. Nós somos vizinhos, disse o presidente, brincando ao se referir às palavras de Chirac que comentou que a maior fronteira da França é com o Brasil (600 km entre a Guiana e o Oiapoque).
Ambos querem que os técnicos definam, agora, onde será construída a ponte ligando os dois países, assim como elogiaram a possibilidade de os dois países ensinarem, respectivamente, as duas línguas, em suas escolas, como forma de aproximação.
Nós temos certeza de que durante a presidência francesa na EU e a brasileira no Mercosul, vamos avançar na direção do acordo, declarou Fernando Henrique, ao salientar que já existe um cronograma estabelecido em abril último, em Buenos Aires, de aproximação entre os blocos. As relações entre EU e Mercosul são boas e espero que sejam cada dia mais fortes, declarou Chirac.


