Chipkvitch diz não saber do que é acusado
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Das agências 
São Paulo - O delegado Virgilio Guerreiro Neto, do 51º Distrito Policial, disse que o pediatra Eugenio Chipkevitch, 47, admitiu à polícia que ele é o homem que aparece em fitas de vídeo apreendidas pelo Ministério Público em que ele aparece supostamente abusando sexualmente de um paciente.
As declarações foram feitas em um depoimento informal ao delegado. O pediatra disse anteontem no 51º DP, no Butantã (zona oeste de São Paulo), que não sabia do que estava sendo acusado. Eu preciso me inteirar exatamente do que está acontecendo para me posicionar. Ainda não estou sabendo exatamente do que se trata, disse.
Guerreiro Neto diz ter 36 fitas apreendidas. Segundo o delegado, não existe possibilidade de as fitas terem sido falsificadas.
Chipkevitch foi detido anteontem pela polícia e está no 13º Distrito Policial, onde ficam presos com curso superior. Segundo Neto, que está cuidando do caso, Chipkevitch não confessou ter abusado sexualmente de seus pacientes. Ele se limitou a dizer que ele era o homem que apareceu nas imagens.
Guerreiro Neto está tentando descobrir se outras pessoas tinham conhecimento dos supostos abusos, mas por enquanto tudo leva a crer que o médico agia sozinho.
A polícia realizou ontem pela manhã uma operação de busca e apreensão no consultório do pediatra, mas não divulgou o que foi encontrado. A ex-mulher do médico, cujo nome está sendo mantido em sigilo, também deverá ser procurada pela polícia para prestar depoimento, assim como seu filho adotivo.
Vítimas - Pelo menos três famílias entraram em contato com a polícia, afirmando que os filhos sofreram abuso sexual.
Segundo o delegado Virgílio Guerreiro Neto, ainda é cedo para afirmar com certeza se os abusos realmente ocorreram porque, segundo os pais, os jovens não se lembram com exatidão dos fatos.
Alguns pais me disseram que as crianças mudaram de comportamento depois da consulta. Que antes eram sociáveis e alegres e depois de irem ao consultório passaram a ter um comportamento mais fechado, afirmou o delegado. Na época, os pais não desconfiaram de nenhum tipo de abuso, mas, após a divulgação das denúncias de pedofilia, decidiram conversar com seus filhos sobre o assunto.
Além desses três casos, cerca de 40 pessoas, cujos filhos passaram por exames com Chipkevitch, procuraram a polícia em busca de mais informações sobre as supostas vítimas do médico. O delegado diz que a maioria das famílias prefere não se identificar com medo de expor os jovens e todos têm em comum uma preocupação: saber se os filhos aparecem nas fitas.


