São Paulo, 14 (AE) - As empresas chinesas Sun Light Eletronic, Wenzhou Eletrical, China Nacional Eletronic, Xiamencenao Corporation e os distribuidores brasileiros Sprahl Indústria e Comércio Ltda., GWB Global World Importação e Exportação e Indústria e Comércio de Relés participaram com extrema ousadia da 19ª Feira Internacional da Indústria Elétrica e Eletrônica (FIEE), encerrada hoje. Elas expuseram em seus estandes disjuntores residenciais e industriais pirateados. Os equipamentos tinham a marca Schneider Eletric Brasil S.A., que é líder do mercado de proteção de sistemas de alta tensão, e eram exatamente iguais aos produtos originais.
A Schneider, uma das maiores expositoras da FIEE, descobriu a pirataria na terça-feira, quando recebeu uma lista de preços de uma das participantes chinesas, onde os disjuntores eram cobrados a R$ 0,40 a unidade, enquanto o cobrado pela indústria é em média R$ 3,00. No mesmo dia, alguns chineses retiraram o material de seus estandes.
Hoje, a empresa entregou aos "piratas" um comunicado alertando sobre as sanções a que estão expostos caso continuem comercializando as peças no Brasil. "A minha preocupação é a distribuição destes produtos no mercado, sobretudo porque se trata de equipamentos de proteção de alta tensão", advertiu o gerente de desenvolvimento da Schneider, Walmir Mondejar. A única forma de evitar isto, segundo ele, seria o consumidor exigir sempre a nota fiscal.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamim Funari Neto, o problema de pirataria neste setor é antigo. A entidade está tentanto obter no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial) a inclusão de interruptores, plugues, tomadas e disjuntores na relação de itens que devem ter o certificado compulsório, existente hoje só para o segmento de fios e cabos. O certificado compulsório é um comprovante de inspeção emitido pela União Certificadora da Indústria Elétrica e Eletrônica (UCIEE), órgão que acompanha o teste de qualidade dos produtos.
A partir de segunda-feira, a Schneider pretende enviar comunicados aos atacadistas e distribuidores, alertando sobre a pirataria de produtos de sua marca. A Abinee também pretende agir para advertir o mercado.
A 19ª Feira Internacional da Indústria Elétrica e Eletrônica movimentou cerca de US$ 2 bilhões em volume de negócios nos 4 dias de funcionamento, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), Benjamim Funari Neto. Este total ficou cerca de 30% acima da estimativa anterior de US$ 1,5 bilhão e se refere a negócios que tiveram início na feira e podem se concretizar nos próximos 6 meses. A feira de 1997 movimentou US$ 1,3 bilhão.
Segundo Benjamim, o evento recebeu a média de 14 mil visitantes por dia em seus 23 mil metros quadrados e contou com 600 estandes e 1.100 expositores. Ele estima que a feira tenha recebido 70 mil pessoas, sendo 1.800 visitantes do exterior. Ele destacou a presença de importantes empresas (Autelcom, CPqD, CTI
Helmut Mauell, Molex, NCR, Sociedade Alfa e Visteon) no Pavilhão de Nacionalização de componentes, onde foram estabelecidos contatos com empresas fabricantes para formar parcerias, a fim de iniciar a fabricação de componentes no Brasil. Várias empresas se interessaram também em formar parcerias com institutos de pesquisas e desenvolvimento (o CPqD e CTI). Este estande recebeu uma média de 400 pessoas por dia.

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