Salvador, 22 (AE) - A Empresa Baiana de água e Saneamento (Embasa) vai entrar com uma ação de perdas e danos contra a empresa China Instruments Imports and Export Coporation
que vendeu um lote de 212 mil hidrômetros defeituosos após vencer uma licitação internacional promovida pelo governo baiano em 96. O valor total do lote foi de US$ 3 milhões, dos quais os chineses já receberam US$ 2,3 milhões.
Os hidrômetros seriam usados no programa de modernização do sistema de distribuição e saneamento de água do Estado, financiado pelo Banco Mundial, que já recebeu um dossiê completo sobre o problema. Quando os primeiros três lotes, totalizando 156 mil aparelhos, chegaram, foram reprovados nos testes de aferição da Embasa. Imediatamente, a empresa baiana, comunicou o fato à China Instruments e cancelou o último lote de 56 mil hidrômetros. "Tentamos exaustivamente um acordo até o final do ano passado, mas as respostas dos chineses eram sempre evasivas, mostrando nitidamente que eles queriam nos enrolar", disse hoje o diretor financeiro da Embasa, José Vieira.
Sem acordo, o caso foi entregue ao departamento jurídico da empresa, que estuda a melhor forma de reclamar a quebra do contrato aos organismos que regulam o comércio internacional. A Embasa conta com 1,6 milhão de clientes na Bahia. Desse total 66% possuem hidrômetros e 34% pagam uma tarifa sem hidrometragem. O projeto da empresa era aumentar esse índice para chegar até 100%.
"Dessa forma poderíamos controlar melhor o consumo dos nossos clientes", explica Vieira. Segundo ele, o problema com os chineses retardou os planos da Embasa, que teve de realizar nova licitação para adquirir novos hidrômetros. "Além do prejuízo da compra, a empresa chinesa ainda nos causou esse atraso no programa", reclamou o diretor.

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