China testa novo míssil de longo alcance
Pequim, 02 (AE-AP) - A China anunciou hoje (02) ter testado um novo míssil de longo alcance em meio a crescentes tensões com Taiwan, considerada por Pequim uma província rebelde.
Segundo divulgou a agência de notícias oficial Nova China, sem dar maiores detalhes, o projétil disparado com êxito do território chinês era um míssil terra-terra. Para analistas militares, a China deve ter testado seu míssil intercontinental Dong Feng-31, que pode carregar uma ogiva nuclear de 700 quilos a uma distância de 8 mil quilômetros.
O teste provavelmente foi realizado no deserto de Lop Nor, em Xinjiang (noroeste do país), em uma área destinada aos testes nucleares chineses.
Já se esperava que a China realizasse um teste de míssil depois de ter ameaçado atacar Taiwan como represália às recentes declarações do presidente taiwanês, Lee Teng-hui, de que as negociações entre as duas partes deveriam ser realizadas sob o status de "Estado a Estado". As declarações de Lee foram consideradas por Pequim como uma tentativa de declarar a independência da ilha, apesar dos insistentes desmentidos por parte de Taiwan.
A China realizou anteriormente vários testes de mísseis para intimidar Taiwan e pouco antes das primeiras eleições presidenciais taiwanesas, em 1996, disparou projéteis ao mar perto da ilha, destacando a vulnerabilidade de Taipé diante da desenvolvida tecnologia chinesa de mísseis.
Segundo informações da imprensa japonesa, o DF-31 foi testado pela primeira vez em maio de 1995 na Província de Shanxi, norte da China. Apesar das poucas informações disponíveis, a China é um dos poucos países do mundo - junto aos EUA e Rússia - que possui um arsenal completo de vetores nucleares (terra, ar e mar). Seus mísseis são essencialmente estratégicos, como o Dong Feng (terra-terra) ou o Julang (mar-terra), capazes de alcançar a Europa ou os EUA.
Segundo fontes oficiais, Taiwan não teme que o míssil testado pela China seja usado para atacar a ilha. "Esse míssil foi concebido para atemorizar as grandes potênciais nucleares, mas não para ser usado contra Taiwan", indicou um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa de Taiwan.
Os EUA, por sua vez, não deram muita importância ao teste. "Não há base alguma para concluir que o lançamento esteja relacionado com Taiwan", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, assegurando que o teste não surpreendeu os peritos dos EUA.
Rubin destacou que a China nunca renunciou ao uso da força em sua relação com Taiwan e reiterou essa possibilidade recentemente por causa do aumento de tensão com a ilha. China e Taiwan separaram-se em 1949 quando, após o fim da guerra, os nacionalistas de Chiang Kai-chek fugiram para lá. As duas partes mantêm um paz tensa, com negociações semi-oficiais sob a promessa de uma eventual reunificação.
Ainda hoje, Pequim também emitiu um furioso protesto contra os Estados Unidos, que anunciou na sexta-feira uma possível venda de aviões militares a Taiwan. O Ministério de Relações Exteriores chinês convocou o diplomata americano James Moriarty para denunciar a proposta dos EUA.
O governo americano pretende vender a Taiwan aviões E-2T Hawkeye 2000E equipados com radares e peças de reposição de jatos F-16, no valor de US$ 550 milhões. O vice-chanceler chinês, Yang Jiechi, disse a Moriarty que a venda agravaria ainda mais as tensões com Taiwan e "causaria graves prejuízos às relações entre a China e os EUA.
Segundo a agência Nova China Yang disse a Moriarty que "os EUA precisam ter consciência da seriedade e do perigo de vender armas a Taiwan e tomar medidas práticas para corrigir esse erro".
O relacionamento entre Pequim e Washington viu-se afetado recentemente por causa do bombardeio da embaixada chinesa em Belgrado em maio, durante a Guerra da Iugoslávia, e só melhorou depois que, na semana passada, os EUA concordaram em indenizar os feridos e as famílias dos três jornalistas mortos no ataque.





