China resolve permitir que OMS vá ao foco da doença
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2003
France Presse 
Hong Kong - A China anunciou ontem 12 mortes e quase 400 casos de pneumonia atípica e finalmente resolveu autorizar uma equipe da Organização Mundial de Saúde (OMS) a ir ao local do suposto foco da doença, que continua se espalhando para o resto do mundo. Mais duas mortes foram registradas na noite de terça-feira no Canadá, o país mais atingido fora da Ásia. Com isso, o total de casos de Síndrome Respiratória Aguda Severa (SRAS) neste país aumenta para 151, seis deles mortais. Nos Estados Unidos, dez novos casos foram registrados e o total é de pelo menos 72 doentes.
China e Hong Kong continuam sendo os mais afetados pela epidemia, que parece ter se originado em Guandong, uma província meridional de Cantão, de onde se espalhou para Hong Kong em fevereiro e começou a se propagar para o mundo pelos passageiros de aviões. Segundo o último balanço, o misterioso vírus já infectou mais de 2.000 pessoas em cerca de 20 países e causou pelo menos 78 mortes: 46 na China, 16 em Hong Kong, seis no Canadá, quatro em Cingapura, quatro no Vietnã e dois na Tailândia.
Em sua sede de Genebra, a OMS reforçou o conselho para que se evitem as viagens para Hong Kong e para a região adjacente de Guangdong. A recomendação foi decidida ''porque não compreendemos bem os meios de transmissão em Hong Kong ...'', explicou David Heymann, diretor-executivo da divisão de doenças contagiosas. O conselho da OMS não se estende a outros países como Cingapura, Vietnã e Canadá, onde as autoridades sanitárias parecem ter conseguido circunscrever a epidemia, acrescentou.
Hong Kong abriu dois acampamentos para pessoas em quarentena e planeja criar mais dois. O governo já colocou nestes locais mais de 200 moradores de um conjunto habitacional muito atingido pela doença. Na Tailândia, onde a pneumonia provocou uma segunda morte, o Ministério da Saúde declarou que os turistas que chegarem das áreas afetadas devem usar permanentemente máscaras cirúrgicas, sob pena de serem condenados a até seis meses de prisão.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado anunciou que financiará a repatriação de diplomatas que queiram deixar a China e Hong Kong e aconselhou os americanos a adiarem as viagens para estes lugares. A Austrália também pediu o adiamento das viagens para Cingapura, China, Hong Kong, Canadá e Vietnã.


