Pequim 29 (AE-AP) - As forças de segurança chinesas reprimiram com violência hoje (29) uma manifestação pacífica de centenas de seguidores da seita Falun Gong diante da Assembléia Nacional, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim.
Irritados com a atitude dos fiéis, que se mantinham sentados em silêncio na posição de lótus, os políciais arrastaram algumas mulheres pelos cabelos e as colocaram, a pancadas, em minivans. Uma delas tinha a cabeça sangrando.
A cena foi presenciada por várias pessoas que passavam pela praça, entre transeuntes e turistas. As testemunhas disseram que os manifestantes sentaram-se sob a bandeira nacional e ficaram em posição de meditação - muitos deles diante da imagem do pai da Revolução Chinesa, Mao Tsé-tung. Eles chegaram à praça logo nas primeiras horas do dia, carregando máquinas fotográficas para se fazer passar por turistas.
Segundo grupos de defesa dos direitos humanos com sede em Hong Kong, com as prisões de hoje, elevam-se para cerca de 3 mil o número de detenções desde segunda-feira, dia em que a seita iniciou uma espécie de campanha de desobediência civil em protesto contra um projeto, em debate na Assembléia Nacional, que proíbe os "cultos heréticos" na China e impõe penas pesadas a quem segui-los.
Esta semana o Diário do Povo, jornal do Partido Comunista Chinês e, portanto, a voz oficial do governo, classificou a Falung Gong de culto satânico, comparável às seitas da Verdade Suprema, do Japão, e dos Davidianos, dos EUA.
A Falun Gong mistura ensinamentos do budismo e taoísmo, bem como meditação e exercícios de respiração. Seu líder, o chinês exilado nos EUA Li Hongzhi, afirma ser uma reencarnação de buda. Os dirigentes da seita dizem contar com 90 milhões de seguidores no mundo, sendo 60 milhões apenas na China. O governo chinês alega que há não mais do que 2 milhões de praticantes no país, mas sua reação diante do rápido crescimento da seita demonstra que os números podem ser bem maiores. Entre os fiéis há milhares de membros do PC ex- funcionários do governo.

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