China rejeita acusações de espionagem
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Christopher Bodeen 
Pequim, 25 (AE-AP) - A China rejeitou nesta terça-feira (25) acusações contidas em um relatório do Congresso dos Estados Unidos de que teria roubado segredos nucleares norte-americanos, dizendo que os autores do estudo estavam tentando desviar a atenção do bombardeio da Otan contra a Embaixada da China em Belgrado, ocorrido em 7 de maio.
O porta-voz ministerial Zhu Bangzao considerou as acusações de espionagem "sem base". As pessoas por trás do relatório manufaturaram as acusações para envenenar as relações entre Estados Unidos e China enquanto desviam atenção do bombardeio à embaixada, no qual três jornalistas chineses morreram, disse Zhu.
"Essa tentativa mesquinha está fadada ao fracasso", afirmou Zhu a repórteres em entrevista coletiva. Ele exigiu que a administração Clinton torne claros seus pontos de vista sobre as alegações.
"A China nunca roubou os segredos de nenhum outro país, incluindo os Estados Unidos", disse uma funcionária da assessoria de imprensa do Ministério da Defesa em entrevista por telefone. Ela recusou-se a revelar seu nome.
As acusações presentes no relatório feito por uma seleta comissão da Câmara dos Representantes presidida pelo deputado Christopher Cox, um republicano da Califórnia, davam conta que a China teria roubado detalhes de sete grandes ogivas nucleares normalmente consideradas parte do arsenal nuclear norte-americano, assim como os segredos relacionados à bomba termonuclear.
O roubo de tecnologia norte-americana possibilitou à China passar de um arsenal nuclear estratégico na década de 50 para projetos mais modernos em poucos anos, segundo cópia do relatório obtido no fim da noite de ontem pela Associated Press. Ele deveria ser divulgado hoje.
Acadêmicos chineses prevêem que as acusações poderiam prejudicar ainda mais as relações sino-americanas, já agravadas pelas disputas em relação a direitos humanos, Taiwan, aos ataques da Otan contra Iugoslávia e ao ataque da aliança contra a embaixada chinesa, além de meses de vazamentos periódicos de informações obtidas pela comissão sobre uma agressiva espionagem chinesa.
As acusações tornariam as relações entre Estados Unidos e China "um pouco mais difíceis de administrar" e poderia manchar a imagem da China nos EUA, disse o estudioso Jin Canrong.
Yan Xuetong, um estudioso de relações internacionais, disse que a China provavelmente iniciaria uma contra-investigação sobre a maneira pela qual as agências de informações norte-americanas obtiveram dados para compor o relatório.


