Pequim, 16 (AE-AP) - As autoridades chinesas ordenaram hoje o alerta militar limitado em suas regiões meridionais próximas ao Estreito de Taiwan, ao mesmo tempo em que um jornal de Hong Kong publicou que o governo chinês poderia tentar ocupar uma ou duas ilhas menores taiwanesas, abandonando sua estratégia de intimidar Taipé com seus testes de mísseis.
Por causa das informações não confirmadas do jornal de Hong Kong Economic Times, o índice da bolsa de Taiwan caiu 6,4%, um nível tão baixo como em fevereiro de 1996, quando a China realizou vários testes de mísseis em sua costa com o evidente propósito de intimidar os taiwaneses.
Apesar de suas recentes ameaças, Pequim esboçou hoje um pequeno gesto de flexibilidade com relação a Taiwan sugerindo que poderia ouvir as razões de Taipé para abandonar a política de "uma China", que impediu uma guerra entre as duas partes rivais durante décadas.
Sob essa fórmula, os dois lados, separados desde a guerra civil de 1949, concordavam que eram parte do mesmo país. Contudo, no sábado o presidente taiwanês, Lee Teng-hui, em entrevista a uma rádio alemã, anunciou que Taipé estava abandonando essa política e desejava manter conversações bilaterais com Pequim no nível de Estado a Estado. Essas declarações fizeram com que a tensão entre os dois rivais subisse a seu nível máximo desde que o diálogo entre Taiwan e China foi interrompido por Pequim em 1995 após a visita de Lee aos Estados Unidos, considerada uma tentativa de reforçar sua influência internacional.
Zhang Kehui, conselheiro da Associação para Relações Através do Estreito de Taiwan (Arats), pediu hoje uma explicação da comissão negociadora taiwanesa sobre a mudança de posição de Taipé para determinar se cancelará ou não a histórica visita que seu negociador-chefe, Wang Dahoan, deveria fazer à ilha em outubro.
Em Taiwan, esperava-se que a visita de Wang ajudasse a intensificar as conversações bilaterais, retomadas no ano passado pelas duas organizações semi-oficiais.
Segundo o Economic Times, se Taiwan insistir com essa posição - considerada por Pequim uma tentativa de independência -, a China poderá intensificar suas pressões. Citando fontes chinesas anônimas, o jornal de Hong Kong informou que Pequim poderia, por exemplo, considerar "breves contatos militares", a ocupação de alguma ilhota controlada por Taiwan, ou tentar forçar uma retratação das declarações de Lee.
De acordo com o mesmo jornal, o presidente chinês, Jiang Zemin, que realiza visita à Mongólia, assinou na terça-feira uma ordem que pôs em pé de guerra as tropas nas cidades sulistas de Nanquim e Cantão. Essas tropas foram postas em alerta limitado, de nível dois, apenas um nível mais alto que o de preparação normal e dois acima do alerta de emergência.
A China reiterou esta semana sua velha advertência de que pode usar a força para impedir qualquer tentativa de separação de Taiwan, considerada por Pequim uma província rebelde que eventualmente deverá reunificar-se ao território continental. E, em uma ameaça velada e uma demonstração de poder
Pequim anunciou ontem que possui há décadas a tecnologia para fabricar a bomba de nêutrons, cuja radiação mata todos os seres vivos sem, no entanto, destruir construções e veículos.
Em Taiwan, o índice de popularidade do presidente Lee caiu para 53%, o mais baixo desde julho do ano passado. Uma pesquisa conduzida pelo United Daily News, o jornal com maior circulação de Taiwan e um antigo crítico do presidente, indicou que a opinião pública está dividida sobre as declarações de Lee. Das 843 pessoas entrevistadas, 43% disseram acreditar na habilidade de Lee para conduzir as relações com o continente, enquanto 38% manifestaram-se negativamente, e 19% não quiseram se manifestar.
A imprensa chinesa lançou novas críticas hoje contra o presidente taiwanês por causa de sua decisão de abandonar a política de "uma China" e o qualificou de um "manipulador" que explorou as tensas relações entre a Pequim e Washington para fins pessoais. Segundo a imprensa chinesa, Lee aproveitou-se da crise nas relações entre China e EUA, por causa das acusações de que Pequim teria roubado tecnologia nuclear americana e por causa do bombardeio pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a embaixada chinesa em Belgrado, para prosseguir influenciando a política taiwanesa depois que deixar o poder após as eleições presidencias, em março.

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