China ordena a prisão do líder da Falun Gong
Xangai, 29 (AE-AP) - A China emitiu nesta quinta-feira (29) uma ordem de prisão contra o líder da proscrita seita chinesa Falun Gong e pediu ajuda internacional para levá-lo à Justiça, informou a agência de notícias oficial Nova China.
O Ministério de Segurança Pública distribuiu circular sobre a ordem de prisão de Li Hongzhi, que vive nos Estados Unidos e é acusado de atentar contra a ordem, e pediu a ajuda da Interpol.
Segundo a circular, Li "planejou e organizou concentrações, manifestações e outras atividades para alterar a ordem pública sem ter recebido autorização legal".
O governo de Pequim proscreveu a seita no dia 22 depois que milhares de seus membros cercaram edifícios governamentais em 30 cidades chinesas em protesto pela prisão de cem líderes da Falun Gong.
Li assegura que sua seita, que mescla artes marciais, meditação, taoísmo e budismo, não ameaça a China, é apolítica e luta pela "verdade, benevolência e tolerância". No entanto, o governo assegura que a seita é uma ameaça à estabilidade do Partido Comunista.
Gail Rachlin, porta-voz de Li, disse hoje durante entrevista coletiva em Washington que conversou com funcionários do Departamento de Estado e estes lhe garantiram que o líder da Falun Gong não corre risco de ser preso enquanto estiver nos Estados Unidos, pois não há nenhum tratado de extradição com a China. Mais tarde, o próprio Departamento de Estado informou que não extraditaria Li justamente pelo fato da ausência de um tratado sobre o assunto entre os dois países.
Centenas de membros da Falun Gong fizeram exercícios de meditação ontem em frente do Congresso americano, em Washington, em protesto pela proscrição da seita.
O governo chinês anunciou hoje a destruição de 1,55 milhão de publicações da Falun Gong desde que ela foi proscrita. Segundo o Diário do Povo, órgão oficial do governo chinês, foram feitas apreensões de livros e fitas da seita mística nas sete maiores províncias do país.
A mídia oficial manteve sua pressão contra a seita nesta quinta-feira. As imagens dos livros sendo cortados em tirinhas e de rolos compressores esmigalhando as fitas foram divulgadas pelas tevês controladas pelo governo com relatos de membros da Falun Gong que ficaram loucos, mataram seus parentes ou suicidaram-se e de pessoas que renunciaram ao tratamento médico para tentar curar-se com os exercícios de meditação.
Taiwan - Um blecaute deixou milhões de pessoas sem eletricidade e espalhou o caos nas ruas e estradas de Taiwan. Funcionários da companhia de energia elétrica não souberam explicar o que causou a falta de energia, que também afetou a Ilha de Kinmen, perto da costa da China. O governo anunciou que seus funcionários estavam trabalhando para restaurar a energia elétrica.
Ainda hoje, o Diário do Povo advertiu Taiwan de que o presidente taiwanês, Lee Teng-hui, está levando a ilha "à beira do precipício" com sua declaração de que as relações entre as duas partes devem ser "de Estado a Estado". Segundo sua própria interpretação, Lee busca, com a mudança de política, melhorar sua posição de negociação com Pequim, enquanto o governo comunista vê nas declarações do líder taiwanês uma tentativa de obter a independência da ilha, considerada por Pequim uma "província rebelde".
Apesar da insistente ameaça de Pequim de que poderá usar a força para deter qualquer tentativa de independência de Taiwan, funcionários chineses e diplomatas ocidentais dizem que o governo está longe de levar adiante uma ação.





