China não vai descartar o uso da força contra Taiwan, diz Jiang
Pequim, 19 (AE-AP) - O presidente Jiang Zemin disse ao presidente norte-americano Bill Clinton que a China não descarta a possibilidade de usar a força contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China, informou hoje a imprensa estatal.
Esta foi a ameaça mais grave na guerra de palavras chinesa que começou quando o presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, disse que os governos da China e de Taiwan têm relação de "Estado a Estado". Pequim, que considera Taiwan como uma província rebelde, considerou a declaração como um passo em direção ao anúncio formal de independência, e disse que impediria isso usando a força, se necessário.
A China e Taiwan são governadas separadamente desde a guerra civil, há 50 anos. Ambos dizem que são parte do mesmo país.
"Nós não estamos desconsiderando o uso da força em Taiwan", teria dito ontem (18) à noite o presidente Jiang ao presidente Clinton, segundo o China Daily. "Há certas forças na ilha de Taiwan e na comunidade internacional que visam separar Taiwan de sua terra natal. Nós não vamos esperar e deixar isso acontecer".
Jiang teria dito ainda, segundp p jornal, que "dividir o território e a soberania da China não é aceitável sob hipótese alguma. Nós aconselhamos as autoridades de Taiwan para desistir de qualquer tentativa de separação e evitar danos às relações já difíceis".
Em Washington, a Casa Branca reafirmou o apoio dos Estados Unidos à política "uma China" durante o telefonema.
"Ele espera que ambos os lados possam manter um diálogo
e resolver pacificamente as questões complicadas", disse o porta-voz da Casa Branca David Leavy.
A secretária de Estado Madeleine Albright deve encontrar o ministro das Relações Exteriores chinês, Tang Jiaxun, esta semana em Singapura. Oficiais chineses não confirmaram o encontro.
Lee irritou Pequim quando disse numa entrevista a uma rádio alemã, transmitida no dia 10 de julho, que os governos rivais têm relações de "Estado a Estado". Pequim classificou a declaração como uma rejeição à política de "uma China".
A disputa ameaça destruir as tentativas para reiniciar as conversações, interrompidas por Pequim em 1995, enfurecida com os esforços de Lee para elevar o perfil internacional de Taiwan.
Em Taiwan, muitos temem a invasão chinesa e o mercado de ações caiu cerca de 13% desde a última terça-feira por conta disso. Uma delegação vai a Washington para explicar a posição da ilha.





