Pequim, 21 (AE-AP) - Apesar de pedidos do enviado especial norte-americano Richard Holbrooke para que Taiwan e China resolvam suas diferenças pacificamente, Pequim informou nesta terça-feira (21) que a China nunca negociaria com um partidário da independência da ilha.
Em duas horas de conversa com o ministro de Relações Exteriores Tang Jiaxuan, Holbrooke disse que não apenas pediu aos dois governos rivais para que negociem, mas também repetiu o apoio dos Estados Unidos à posição de Pequim segundo a qual Taiwan e o restante do território chinês fazem parte de "uma China".
Ignorando os passos dados em Taiwan com relação a uma aproximação, o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, afirmou hoje que Pequim nunca negociará com partidos nem indivíduos que defendam a independência de Taiwan.
O presidente chinês, Jiang Zemin, exigiu hoje que Taiwan reconheça primeiro que é parte inseparável da China, como requisito para a retomada de negociações.
Jiang também voltou a criticar o apoio dado pelos Estados Unidos à ilha. "Taiwan é um obstáculo ao desenvolvimento das relações sino-americanas. E Taiwan é um assunto interno da China", disse o presidente chinês ao receber Holbrooke, embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
Ainda hoje, o Parlamento de Taiwan revogou uma proibição de cinco décadas ao comércio direto, ao transporte e aos serviços postais com a China, o que abre o intercâmbio entre as ilhas taiwanesas e as cidades continentais do país mais povoado do mundo.
Este foi o primeiro gesto concreto de boa vontade de Taiwan após as eleições presidenciais de sábado, vencidas pelo candidato da oposição, Chen Shui-bian, do Partido Democrático Progressista (DPP).
Um porta-voz do Parlamento disse que os vínculos diretos serão permitidos nas ilhas que rodeiam Taiwan (Quemoy, Matsu e Penghu) e nas cidades do outro lado do estreito, como Xiamen e Mawei.
As ilhas, fortificadas, são a primeira linha de defesa de Taiwan contra a China, apesar de um florescente contrabando entre elas e o continente.
A decisão de levantar a proibição foi aprovada em uma sessão normal do Parlamento, ainda dominado pelos deputados do Partido Nacionalista (Kuomintang), cujo candidato, Lien Chan, foi derrotado nas eleições. A medida não necessita de aprovação do governo.
Há tempos a China vinha pressionando pelo comércio direto e os vínculos de transporte, mas o governo nacionalista resistia temendo que a segurança de ilha pudesse ver-se ameaçada se sua economia se integrasse com a do continente.
Grande parte do comércio e dos investimentos entre Taiwan e a China é realizado por meio de Hong Kong. Os líderes empresariais de Taiwan elogiaram a medida como o primeiro passo para uma abertura mais ampla.
Nesse sentido, a Bolsa de Taiwan fechou hoje em alta de 5,5%, após ter perdido na segunda-feira 2,6%. O índice Taiex ganhou 468,43 pontos e estabeleceu-se no fechamento em 9.004,48.
Segundo o analista Yu Yin-kai, os investidores, que no princípio temiam que a China reagisse duramente à vitória da oposição taiwanesa, agora acham que a situação não é tão grave.
O Partido Democrático Progressista, buscando acalmar a tensão criada com com Pequim após sua vitória presidencial, está considerando mudar sua mais provocativa posição, a que defende a criação da "República de Taiwan", informaram membros do partido.
A proposta será discutida por altos líderes do DPP hoje, informou o deputado Chen Zau-nan. Outro político declarou que a proposta é tão polêmica que provavelmente será adiada pelo menos até a posse de Chen Shui-bian, em 20 de maio.

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