Pequim (AE-AP)- O Grande Timoneiro, Mao Tse-tung, está aqui, assim como o Grande Arquiteto, Deng Xiaoping.
A exposição de objetos de cera "Grandes Homens do Século" marca o 50º aniversário de governo comunista na China e glorifica da liderança de Mao e seus herdeiros revolucionários, da mesma forma como faz a maioria dos eventos da festa de aniversário
Pequim está se preparando para celebrar a China Moderna do dia 1º de Outubro de 1949, estabelecendo os alicerces para um mega evento na capital, exposições e até mesmo um web site oficial de aniversário. A cidade gastou US$ 13,3 bilhões em 67 dos principais projetos de comemoração do 50º aniversário, informou a agência oficial de notícias Xinhua.
Embora apenas 20 deles tenham sido finalizados, os demais, incluindo um novo terminal no aeroporto internacional de Pequim, devem estar concluídos até o grande dia.
Pequim começou sua limpeza alguns anos atrás sob a benção do presidente Jiang Zemin, e acabou com feiras livres, retirou barracas de migrantes e baniu carroças de cavalos e os microônibus amarelos das ruas.
Uma das mais rápidas e abrangentes melhorias realizadas na cidade foi a limpeza e o tratamento paisagístico dado aos fétidos canais de Pequim, trabalho concluído em questão de meses. Ruas foram repavimentadas e ganharam novas calçadas, quarteirões inteiros foram demolidos e em seus lugares hoje, podem-se ver gramados, limitados por adornadas paredes de cor cinza.
Como a maioria dos projetos de renovação urbana, algo foi perdido no processo de embelezamento: as dilapidadas, mas pitorescas "hutong", vielas que costumavam ser a casa de muitas pessoas, foram substituídas pelo tipo moderno de shopping center e prédios de escritório típicos de qualquer grande cidade.
A maioria dos 13 milhões de habitantes de Pequim assistirá às comemorações planejadas para o dia 1º de outubro, que incluem uma parada militar, espetáculos de dança e fogos de artifício, apenas pela televisão. Somente um seleto grupo será convidado para assistir às comemorações ao vivo e tomar parte delas.
Nada deve estragar as festividades. Já no dia 25 de setembro o tráfego será restrito e as 25 fábricas mais poluentes serão fechadas, num esforço para clarear o céu da cidade, normalmente turvo. Se o governo pudesse estabelecer as condições atmosféricas, com certeza o faria. Um jornal afirmou que há apenas uma em três chances de chover no dia 1º de outubro.
A limpeza pré-aniversário da cidade inclui uma caça aos migrantes, aos que vagueiam pelas ruas e quaisquer outras pessoas julgadas "feias" ou indesejáveis. As autoridades também começaram a impedir que as multidões de turistas, que vêm das diversas províncias do país, viajem à Pequim. Assim, os trabalhos de cera e outras exposições que exibem as conquistas dos últimos 50 anos estarão virtualmente abandonadas.
Deng, apelidado "O Grande Arquiteto" por ter lançado a atual era de reformas econômicas, saúda os visitantes num uniforme de cinza no estilo Mao, em pé, diante da lustrosa limosine preta que ele usou para revistar as tropas durante as celebrações de 1984.
"Você não quer tirar um foto com ele?", pergunta um entediado funcionário do cavernoso Museu da História Revolucionária. Mao contempla, pensativamente, de um banco no topo do monte Lushan, a paisagem composta por montanhas azuis e um mar de nuvens. Sun Yat-sen, reverenciado como o pai da revolução, aparece com sua esposa Song Qingling. A alguma distância, o abnegado soldado e modelo de herói, Lei Feng, mantém-se em posição de alerta, sob a luz escura e ultravioleta das estrelas.
Apesar de ser o atual portador da tocha da revolução chinesa, Jiang não faz parte da exposição. De acordo com o jornal estatal Beijing Youth Dail, sua estátua, vestida num uniforme preto, segurando uma tocha no estilo olímpico, fazia parte da mostra, mas um defeito foi encontrado no trabalho. "Houve algumas mudanças. O cabelo e suas têmporas estão um pouco brancas, por isso a estátua está sendo remodelada", afirma o jornal, que não esclarece quem descobriu o problema na peça de cera.
Alguns visitantes do museus perguntam-se se a inclusão de Jiang entre os "grandes" da revolução pode ter surpreendido outros líderes do partido como um culto à sua personalidade. Outros consideram que talvez incluir um líder vivo entre os mortos possa ser considerado como azar.

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