Pequim, 20 (AE-AP) - A China indicou hoje (20) que Taiwan está dando passos muito perigosos no caminho da separação e desmentiu as informações de um jornal de Hong Kong de que estaria em estado de alerta militar por causa da recente crise com a ilha, considerada por Pequim como uma província rebelde, apesar de ter intensificado ontem seus exercícios militares na região costeira.
O presidente americano, Bill Clinton, disse hoje que exortou seu colega chinês, Jiang Zemin, durante uma conversa por telefone no domingo, a manter um diálogo com Taiwan, ao mesmo tempo em que apoiou a política de "uma China", cujo abandono na semana passada pelo governo de Taipé levou à atual crise.
Clinton não confirmou a informação de que Jiang teria dito que Pequim não descartava o uso da força para impedir uma tentativa de independência da ilha. Contudo, os Estados Unidos enviarão emissários à China e Taiwan para pedir a moderação às duas partes, disse hoje a secretária americana de Estado, Madeleine Albright. Ela também informou que poderá exortar o chanceler chinês, Tang Jiaxuan, a resolver a disputa com Taipé pacificiamente durante uma reunião dos países do sudeste asiático no fim do mês em Cingapura.
As novas advertências de Pequim, feitas hoje por meio da porta-voz da chancelaria chinesa, Zhang Qiyue, foram feitas depois que o presidente taiwanês, Lee Teng-hui insistiu que Taiwan deverá participar de eventuais conversações com a China "de Estado a Estado". Lee defendeu sua mudança de posição alegando que era um passo necessário para preparar a ilha capitalista para uma eventual reunificação com o continente comunista.
O presidente taiwanês reiterou que não estava lançando um anúncio de independência de Taiwan, que a China advertiu poderia levar à guerra.
Dez dias depois de ter lançado uma verdadeira bomba durante uma entrevista a uma rádio alemã ao renunciar à política de "uma China", Lee disse que com sua exigência de conversações "Estado a Estado" estava apenas tentando estabelecer um status equivalente para os dois lados o que permitiria a realização de negociações reais sobre um futuro amigável. Taiwan concorda que a reunificação é uma meta comum, mas defende que ela só ocorrerá após uma democratização da China.
A China intensificou sua propaganda de guerra contra Taiwan hoje e publicou várias fotos de exercícios militares na região de Nanquim. Analistas políticos esperam uma demonstração de força da China nas próximas semanas, provavelmente em forma de grandes manobras navais, como as realizadas durante a crise de 1996, provocada pela visita de Lee aos EUA um ano antes. Na ocasião, os EUA enviaram dois porta-aviões ao Estreito de Taiwan.

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