Pequim, 02 (AE-AP) - A China apelou hoje (02) a seus cidadãos para não criarem problemas no 10º aniversário na sexta-feira da repressão aos protestos democráticos na Praça da Paz Celestial, enquanto dissidentes intensificavam suas exigências por reparações.
Numa rara menção direta ao movimento de 1989, o principal jornal do governista Partido Comunista acusou governos ocidentais e dissidentes, de então e de hoje, de tentarem fomentar a discórdia para enfraquecer a China.
"A firme e resoluta supressão da agitação política em Pequim na primavera e verão (boreais) de 1989 foi extremamente precisa e completamente necessária para preservar a independência, dignidade, segurança e estabilidade do país", escreveu o Diário do Povo.
"Seja no passado, presente ou futuro, unidade e estabilidade são as armas secretas do povo da China para a vitória", afirmou o comentário de primeira página.
O tratamento direto do Diário do Povo sublinha a confiança da liderança comunista em orrientar a percepção pública sobre o aniversário. Uma estridente campanha pública antiocidental que teve início na mídia depois que a Otan bombardeou a embaixada chinesa na Iugoslávia em 7 de maio tem incentivado o nacionalismo e canalizado a revolta pública contra os Estados Unidos.
O assalto militar que matou centenas e pôs fim a sete semanas de protestos centrados na Praça da Paz Celestial em 4 de junho de 1989 permanece uma questão sensível na vida política chinesa. Independentemente de como viram os pedidos por democracia dos manifestantes, muitos chineses, especialmente em Pequim, têm ressentimentos com o uso dos militares pelo governo para atacar estudantes desarmados.
Pequim fechou uma das fontes de informação sobre o aniversário. A polícia ordenou que hotéis de turistas e complexos residenciais financiados por estrangeiros deixem de transmitir a CNN, noticiou a rede baseada nos EUA e gerentes das instalações.
Chineses comuns já são proibidos de receber a CNN, que tem divulgado notícias e retrospectivas sobre a repressão.
O comentário do Diário do Povo também serviu de aviso aos dissidentes para não aproveitarem o aniversário para dar vazão a generalizado descontentamento com o desemprego, queda de poder aquisitivo e corrução.
A polícia intensificou a vigilância a dissidentes e mantém detidos pelo menos 28 de cerca de 80 ativistas democráticos questionados em semanas recentes, segundo o Centro de Informação de Direitos Humanos e do Movimento Democrático da China, baseado em Hong Kong.
Pelo menos sete dissidentes teriam sido detidos nesta quarta- feira.
Meia dúzia de agentes de segurança mantêm sob observação o apartamento de Ding Zilin e Jiang Peikun, um casal de professores aposentados cujo filho de 17 anos foi morto a tiros na repressão. Os agentes têm advertido e questionado todos os visitantes do casal, dizendo a eles para se manterem afastados neste "momento sensível".
Por anos, Ding e Jiang têm organizado outros que foram feridos e familiares dos que foram mortos no assalto e têm pressionado o governo por reparações. Eles e as famílias de 159 vítimas e 70 dos feridos exigem um pedido de desculpas do governo e uma investigação no processo que entraram no mês passado e anunciado na terça-feira em Nova York.

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