China embarga visita do papa a Hong Kong
Hong Kong, 09 (AE-AP) - Os católicos de Hong Kong lamentam a impossibilidade do papa João Paulo II de visitar o território. Porém, a notícia não foi uma completa surpresa, considerando a desaprovação da China ao fato do Vaticano manter relações diplomáticas com Taiwan. "É um grande desapontamento, contudo, diria que não foi um acontecimento completamente inesperado", disse o padre Peter Robb. O padre disse que a falta de ligações formais entre o Vaticano e Pequim tornou delicada qualquer tentativa de obter o convite oficial necessário para uma visita papal. O serviço de imprensa do Vaticano preferiu não fazer comentários sobre o assunto. O itinerário da visita de João Paulo II a ásia neste segundo semestre ainda não foi definido. O Ministério das Relações Exteriores da China informou que a proposta de visita do papa a Hong Kong era "complicada" uma vez que o Vaticano mantinha relações diplomáticas com Taiwan. A China considera Taiwan uma província rebelde e não admite a sua independência. A Igreja Católica Apostólica Romana tem cerca de 370 mil seguidores em Hong Kong. A notícia de que o pontífice não irá mais visitar Hong Kong vem à tona ao mesmo tempo que as relações entre a China e Taiwan alcançaram um elevado grau de tensão. A deterioração nas relações foi deflagrada no mês passado, quando o presidente da ilha, Lee Teng-hui, enfureceu Pequim dizendo que o diálogo entre as duas partes teria de ser conduzido em bases de "Estado para Estado". No entanto, as agências de notícias ligadas ao Vaticano informaram que o problema real não era a relação com Taiwan, mas
sim, a liberdade de religião na China. A agência Fides disse que o Vaticano nunca apresentou qualquer solicitação oficial para a viagem do papa para a antiga colônia britânica. "Não há qualquer recusa formal pela China, uma vez que não foi feito nenhum pedido oficial. No entanto, é verdade que a China bloqueou a possibilidade de visita", informou a Fides. "Contudo, como sempre surge no diálogo China-Vaticano, o problema de Taiwan é apenas um escudo que esconde o problema de liberdade religiosa", acrescentou a agência. O governo comunista da China forçou os católicos do país a cortar ligações com o Vaticano e colocou suas igrejas sob a subordinação da Associação Patriótica, na década de 50. São frequêntes as notícias de prisão de católicos clandestinos na China. A diocese de Hong Kong não deu explicações sobre porque o papa não visitaria a região. A porta-voz da diocese, Mary Seung, limitou-se a dizer que Hong Kong era apenas uma das muitas propostas de destino na ásia.





