Pequim, 20 (AE-AP) - O líder chinês, Jiang Zemin, exigiu hoje (20) que o presidente eleito de Taiwan, Chen Shui-bian, reconheça o princípio da existência de "uma só China", da qual o território taiwanês faz parte na condição de província, como premissa para que as duas partes iniciem negociações sobre o futuro de suas relações, informou a agência estatal Xinhua.
Atendida essa condição, tudo o mais pode ser discutido, disse Jiang em sua primeira declaração sobre o assunto desde que o oposicionista Chen, do Partido Democrata Progressista, venceu as eleições de sábado. O presidente chinês salientou que Chen poderia ir à China para conversações ou ele mesmo viajaria para Taiwan. O comunicado foi uma resposta ao convite feito por Chen para uma "cúpula pacífica" entre Taipé e Pequim.
Após a vitória, Chen mostrou-se disposto a dialogar, sem contudo abrir mão da autonomia taiwanesa. Hoje, ele reiterou sua posição ao enfatizar que o futuro governo de Taiwan poderá debater qualquer tema, mas somente se ambas as partes se tratarem mutuamente como iguais e "sempre e quando o tópico de uma só China não for considerado um princípio". Ele fez, porém, uma concessão: admitiu discutir o tema "uma só China".
A independência consta da plataforma do partido de Chen, mas na campanha ele moderou o tom de seus discursos e afirmou que, se eleito, não iria convocar um referendo sobre a separação.
Para o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Sandy Berger - cujo país hoje exortou as duas partes a retomar o diálogo - , as declarações de Chen nas últimas 24 e 48 horas foram "conciliatórias" e as chinesas, "comedidas". "Acho que este é o momento para agarrar a oportunidade que existe de retomar o diálogo entre Taipé e Pequim", observou Bergen.
Apesar do impasse, como a China abandonou o discurso ameaçador adotado na campanha eleitoral - na qual deixou claro que não hesitaria em usar seu poder bélico para evitar a independência da ilha -, a reação dos mercados financeiros não foi tão catastrófica como muitos analistas previam. No primeiro dia de abertura da Bolsa de Taiwan após as eleições, as ações caíram 3,2% e, no fim do pregão, o índice fechou com queda de 2,59%. O governo interveio comprando ações para evitar que os papéis despencassem.
Em Taipé, a polícia conseguiu expulsar hoje milhares de manifestantes da área central onde fica a sede do governista Partido Nacionalista, o Kuomintang, e isolou o local. Partidários do Kuomintang protestam com violência desde sábado, exigindo a renúncia de todo o Comitê Central e a imediata destituição do presidente taiwanês, Lee Teng-hui, da liderança do partido.
Pelo menos 38 pessoas ficaram feridas hoje nos choques entre a polícia de choque e os manifestantes, no pior incidente do tipo na capital nos últimos anos. No domingo, houve 23 feridos.
Lee, o vice-presidente Lien Chan - candidato derrotado do Kuomintang - e os membros do Politburo decidiram no domingo deixar a direção somente em setembro, o que aumentou a ira da multidão.
Os manifestantes atribuem a derrota a Lee, por ter expulsado do partido o dissidente James Soong, que acabou disputando a eleição como independente e ficou em segundo lugar, com 36,6% dos votos - apenas 2.54 pontos porcentuais atrás de Chen. O candidato do Kuomintang foi o terceiro colocado, com 23,1 %, um resultado humilhante para o partido que controla o poder em Taiwan há mais de 50 anos.

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