Curitiba- A importações de madeira amazônica pela China cresceram, em volume, cerca de 58%, passando de 150 milhões de toneladas, em 2002, para 255 milhões de toneladas, em 2005. Em valores, o acréscimo foi de quase 93%, subindo de US$ 78,2 milhões para US$ 138,5 milhões, no mesmo período. Os números foram apresentados por ativistas do Greenpeace, que lançaram, ontem, na COP-8, o relatório ''Dividindo a culpa: consumo global de madeira e o papel da China na destruição de florestas primárias''.
Os ambientalista cobram que o problema da exploração de madeira seja tratado com rigor pelas partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). De acordo com o ativista do Greenpeace da Amazônia, Paulo Adário, entre 60% e 80% da produção de madeira amazônica é ilegal e se reverte em outros problemas graves como a invasão de terras indígenas.
O relatório aponta que a maior parte da madeira tropical do mundo tem como destino a China que a usa na fabricação de móveis, assoalhos e compensados. A Ásia é o principal exportador e os maiores importadores dos produtos chineses acabados são Estados Unidos, Europa e Japão.
O assessor político do Greenpeace para a Ásia, Ajit Rye, alertou para o risco de todas as florestas da Indonésia e Papua Nova Guiné desaparecerem completamente, até 2010, caso se mantenha o ritmo atual de desmatamento. Segundo ele, os dois países já teriam perdido 72% e 62% de suas florestas, respectivamente. ''As perdas econômicas na Indonésia por causa do desmatamento são de US$ 3 bilhões por ano'', acrescentou ao falar do empobrecimento dos países do sudoeste da Ásia pela exploração ilegal de madeira.
Sabastien Risso, do Greenpeace para a União Européia, defendeu que os níveis de consumo de produtos de madeira originária de florestas primárias deve se reduzir drasticamente, considerando que, nos países europeus, as importações cresceram cinco vezes, em valor, nos últimos 10 anos. Nos Estados Unidos, o aumento foi de oito vezes, no mesmo período.

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