China diz que ataque contra sua embaixada foi crime de guerra
Bruxelas, 08 (AE-AP) - Horas depois do ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que atingiu, por engano, a Embaixada da China em Belgrado e causou a morte de quatro cidadãos chineses, o governo de Pequim acusou a aliança atlântica e os EUA de crime de guerra e exigiu o fim dos bombardeios aéreos contra a Iugoslávia.
Apesar da retórica, a diplomacia chinesa não conseguiu convencer seus pares no Conselho de Segurança das Nações Unidas a aprovar a abertura de uma investigação e uma moção formal condenando o incidente.
"O que ocorreu em Belgrado foi um crime de guerra e como tal deve ser punido", afirmou o embaixador da China na ONU, Qin Huasun, que recebeu o apoio da representação russa. Moscou qualificou o bombardeio de "bárbaro".
O secretário-geral da Otan, o espanhol Javier Solana, reconheceu e disse que lamentava "profundamente" o que chamou de "trágico erro". Mas os comandantes militares da aliança garantiram que os ataques vão continuar.
Na mesma série de bombardeios, os aviões da Otan atacaram, também na madrugada de hoje, outro alvo civil: o Hotel Iugoslávia. Fontes da aliança, porém, desmentiram informações de que se tratou de mais um erro de pontaria dos militares.
O hotel, segundo a Otan, vinha sendo utilizado pelo líder paramilitar nacionalista sérvio Zeljko Raznatovic, conhecido como Arkan, como base de planejamento das operações de "limpeza étnica" contra a maioria albanesa da Província de Kosovo. Sem água nem energia elétrica, cujo abastecimento foi interrompido há vários dias em consequência dos bombardeios, o hotel estava vazio, segundo fontes sérvias.
Em consequência do ataque à embaixada chinesa, o governo russo decidiu, na manhã de hoje, cancelar a visita que seu chanceler, Igor Ivanov, faria à Grã-Bretanha. "A destruição de uma embaixada estrangeira não é apenas um ato de vandalismo, mas também uma flagrante e injustificável violação das leis internacionais", declarou o presidente russo, Boris Yeltsin.





