Pequim, 07 (AE-REUTERS) O ministro de Relações Exteriores da China, Tang Jiaxuan, qualificou hoje (07) de "irresponsável e injustificada" uma reportagem publicada ontem pelo jornal The New York Times, segundo a qual a China teria roubado tecnologia nuclear dos EUA na década de 80.
Numa entrevista coletiva, Tang afirmou que a publicação da notícia deixa claro que "há pessoas que pretendem impedir o desenvolvimento normal da relações entre Pequim e Washington".
Citando como fonte funcionários do governo, o jornal informou que, com o roubo de documentos do Laboratório Nacional de Los Alamos - a principal "fábrica atômica" dos EUA - os chineses puderam dar "um grande salto" para a fabricação de suas próprias ogivas nucleares.
Os cientistas americanos só constataram o roubo em 1995, depois de a China ter realizado provas com uma miniogiva nuclear. A pequena bomba era muito semelhante à arma atômica de pequeno porte mais avançada dos EUA, a W-88.
Dados da inteligência americana indicavam que, até há pouco tempo, os pesquisadores chineses estavam muito atrasados em relação aos EUA em seu programa de desenvolvimento de bombas atômicas de pequeno porte.
Depois do ensaio chinês, porém, as suspeitas levaram as autoridades de segurança de Washington a afastar um cientista sino- americano de Los Alamos, sob a suspeita de que ele estava passando segredos nucleares para Pequim.
A notícia do vazamento de segredos atômicos só chegou ao presidente Bill Clinton em 1997, logo depois de ele ter mantido a primeira reunião de cúpula entre EUA e China em oito anos.
Preocupado, Clinton ordenou que as medidas de segurança em Los Alamos fossem fortemente reforçadas no prazo de seis meses. The New York Times sustentou que, mesmo assim, a investigação sobre o roubo de tecnologia da W-88 foi caracterizada por ilações, passividade e ceticismo. Nenhuma detenção ocorreu e só há um mês o cientista suspeito de ter sido o informante foi submetido a interrogatório.
Hoje, o jornal The Washington Post, precisando que o suposto agente chinês é originário de Taiwan, informou que ele não passou no detector de mentiras (um aparelho conhecido como polígrafo) quando se submeteu a um teste. O Post citou funcionários da administração Clinton.
Essas fontes disseram também que o presidente se empenhou em reduzir ações de espionagem e contra-espionagem entre Washington e Pequim para impulsionar sua política de estabelecimento de parceria estratégica com o governo chinês.
"Nós reconhecemos como um fato da vida diplomática que países se espionam uns aos outros", disse um dos funcionários. "Por termos outros interesses estratégicos a perseguir, tratamos com muita delicadeza várias nações - muitas das quais, nossas aliadas - quando percebemos que elas nos estão espionando."
Dois outros altos funcionários de Washington, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Sandy Berger, e o secretário de Energia, Bill Richardson, admitiram lapsos no sistema de segurança de Los Alamos e reconheceram que esses problemas demoraram para ser resolvidos no primeiro mandato de Clinton.
"A informação que obtivemos em 1997 deixava claro que tínhamos um sério problema de segurança no laboratório nacional, o qual começamos a solucionar de modo sistemático e abrangente", disse Berger.

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