Taipé, 31 (AE-AP) - Uma lancha da guarda costeira de Pequim deteve um cargueiro taiwanês que levava provisões para militares de Taiwan estacionados na fortificada Ilha de Matsu, controlada por Taipé.
"O piloto do barco de Taiwan informou que foi forçado por quatro policiais chineses fortemente armados a dirigir-se ao continente", informou um funcionário taiwanês.
O proprietário da embarcação, Wen Nung-ti, disse que os guardas de Pequim acusaram os dez tripulantes do cargueiro de contrabando de produtos eletrônicos. Ele confirmou também que o navio MV Shin Hwa, de 975 toneladas, carregava arroz e comida enlatada para as tropas em Matsu.
Desde a ampliação da tensão com a China continental, as autoridades de Taiwan estão reforçando suas defesas em ilhas como Matsu e Tsoying.
A China, que considera Taiwan uma província rebelde, irou-se com uma declaração do presidente taiwanês, Lee Teng-hui, feita no dia 9, na qual ele defendeu que as relações entre Taipé e Pequim devem ser de "Estado para Estado". Até então, Lee era adepto da política de "uma única China", evitando qualificar Taiwan como um Estado soberano.
O governo chinês acusou imediatamente o presidente taiwanês de estar adotando medidas na direção da independência de Taiwan e advertiu que pode responder militarmente à provocação.
"O Exército de Libertação Popular da China está pronto para agir em qualquer tempo com o objetivo de salvaguardar a dignidade nacional e a integridade territorial do país e impedir qualquer tentativa para dividir seu território", disse o ministro da Defesa chinês, Chi Haotian.
Na sexta-feira, a queda de uma torre de eletricidade havia provocado o mais grave blecaute da história de Taiwan e aumentado o temor dos taiwaneses em relação a um eventual ataque chinês. Muitos se perguntavam como a ilha resistiria a uma ofensiva ante a vulnerabilidade que demonstrou.
O blecaute deixou 7 milhões de casas sem energia elétrica e muitos taiwaneses chegaram a pensar que ele era o prelúdio de um bombardeio. Depois de constatar que as luzes se haviam apagado por um problema técnico, as autoridades restabeleceram a eletricidade cinco horas depois.
Opositores ao presidente Lee Teng-hui não pouparam críticas ao governo por causa do incidente. "Como nos podemos mostrar orgulhosos ante o mundo ou esperar que a opinião pública confie em nossa segurança nacional?", indagou o candidato presidencial da oposição, Chen Shui-bian. "Ficou demonstrado que a China pode atacar Taiwan sem nem sequer enviar tropas, bastando bombardear um serviço público-chave ou sabotar seus computadores."

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