China defende decisão de proibir seita Falun Gong
Pequim, 28 (AE-ANSA) - O governo da China defendeu hoje (28) seus esforços para proibir as atividades da seita Falun Gong e intensificar a perseguição a seus líderes, alegando que trata-se de um grupo "maligno" que afeta "a segurança do povo".
Pelo menos 30 pessoas, aparentemente membros do Falun Gong, foram detidos hoje na Praça da Paz Celestial, o centro de Pequim, e colocados em caminhões policiais.
Os seguidores do grupo - que diz contar com mais de cem milhões de adeptos - realizam há quatro dias uma manifestação silenciosa contra a perseguição do governo chinês.
"Nenhum governo responsável iria tolerar uma religião maligna que causa danos à segurança do povo e destrói a ordem pública e a estabilidade social", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhang Qiyue.
Os governos de outros países aprovam as ações de Pequim contra as atividades da seita, garantiu.
Entretanto, desde que a China colocou na ilegalidade a Falun Gong, em 22 de julho último, vários governos ocidentais pediram a Pequim para suspender sua linha dura contra a seita, especialmente levando em conta que suas práticas são não violentas.
Falun Gong se baseia em exercícios de meditação que combinam elementos do budismo e do taoísmo com as práticas de respiração chinesas de qigong.
As críticas internacionais contra a China, baseadas em acusações de violações dos direitos humanos, serão intensificadas caso o governo de Pequim cumpra suas ameaças de promover julgamentos públicos contra membros da Falun Gong em novembro, adiantaram fontes diplomáticas.
Uma nova legislação está sendo discutida no Congresso Nacional do Povo, que provavelmente será utilizada para impor penas de até dez anos de prisão a líderes da seita, acrescentaram as fontes diplomáticas.
O governo chinês defendeu que a legislação atualmente em discussão servirá para deter seitas que, como a Falun Gong, "colocam em perigo o desenvolvimento econômico e a segurança das pessoas", segundo divulgou a agência de notícias Nova China.
A polícia e jornalistas estrangeiros estão na expectativa do que ocorrerá durante o fim de semana na Praça da Paz Celestial, quando deverá haver uma intensificação dos protestos silenciosos da Falun Gong.
Os membros da seita realizam seu protesto na frente do Congresso, onde os legisladores concluirão no domingo a atual sessão.
As perspectivas para os membros da seita não são boas, já que o Diário do Povo, órgão do Partido Comunista Chinês, publicou hoje um grande artigo denunciando as práticas do Falun Gong e seu líder espiritual, Li Hongzhi, que vive atualmente em Nova York. Para observadores, o artigo marcaria o início de uma nova campanha contra o grupo.
O editorial afirma que a Falun Gong orienta seus seguidores a não tomar remédios e evitar tratamento médico - o que já teria provocado a morte de 1.400 de seus fiéis. O grupo forçaria seus seguidores a "divorciarem-se da sociedade".
Um porta-voz da seita em Hong Kong disse que os adeptos da Falun Gong "não estão interessados em política, apenas em melhorarmos a nós mesmos".
"O meste Li não previu nenhum fim do mundo - acrescentou - Ele apenas disse que as pessoas vão se degenerando moralmente, pouco a pouco. Seu objetivo é ensinar as pessoas a se salvarem", acrescentou.
A seita lançou hoje um novo desafio ao governo. Cerca de 20 de seus membros concederam uma entrevista coletiva clandestina a vários jornalistas estrangeiros.
Os seguidores se identificaram, arriscando-se a ser detidos, defenderam a seita e acusaram o governo de promover uma "campanha propagandística mentirosa" e uma perseguição policial contra eles.
Também, eles garantiram que dez de seus companheiros morreram sob custódia policial.
A polícia chinesa reconheceu a morte de três seguidores enquanto estavam detidos, dois deles, uma jovem de 18 anos e um homem de 38, por terem se jogado de trens em movimento enquanto eram levados de Pequim para suas cidades de origem em agosto e setembro, segundo a versão oficial.





