China culpa EUA por tensão com Taiwan
Pequim, 24 (AE-AP) - A China rejeitou hoje (24) duramente as críticas dos Estados Unidos sobre sua mais recente ameaça militar a Taiwan como "uma interferência grosseira" e indicou que a questão não deveria ser relacionada com os esforços chineses para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Manifestamos nossa grande insatisfação e resoluta oposição a essa ingerência nos assuntos internos da China", disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Zhu Bangzao.
Segundo ele, o apoio militar prestado pelos EUA a Taiwan estimulou a arrogância separatista da ilha e provocou a atual tensão no estreito. Zhu citou a venda de grandes quantidades de armas avançadas, a oferta americana para a ilha integrar um sistema de defesa balística, no qual também estaria incluído o Japão, assim como a aprovação no Congresso americano de um projeto para o aumento da defesa de Taiwan.
"Nenhum país estrangeiro tem o direito de interferir na questão de Taiwan, que é um problema interno da China", disse o porta-voz à imprensa após ser questionado sobre a missão iniciada hoje pelo porta-aviões americano Kitty Hawk, que estava ancorado no porto japonês de Yokosuka.
O Kitty Hawk partiu hoje para o Mar do Leste da China para o que foi chamado oficialmente de uma missão de treinamento, para testar um novo equipamento do navio. Entretanto para os analistas locais a missão seria a de patrulhar o Estreito de Taiwan para o caso de aumento de tensão na região.
O porta-voz acrescentou que a China se opõe terminantemente às acusações dos EUA de que o chamado "Livro Branco sobre a questão de Taiwan", publicado na segunda-feira pelo Conselho de Estado, é uma ameaça de guerra contra a ilha nacionalista. "A China dedica-se a solucionar o problema de Taiwan segundo o princípio "um país, dois sistemas" aplicado em Hong Kong e Macau e à reunificação pacífica da pátria, apesar de não abandonar a possibilidade de recorrer ao uso da força", esclareceu Zhu.
Desde que o presidente taiwanês Lee Teng-hui anunciou no ano passado que as relações entre Taiwan e China deveriam ser "de Estado a Estado", Pequim não mediu esforços para deter, por meio de ameaças, os movimentos favoráveis à independência da ilha, para onde fugiram os nacionalistas chineses após terem sido derrotados pelos comunistas em 1949.
Apesar da novas ameaças da China, consideradas um passo para tentar influenciar nas eleições presidenciais de Taiwan, que serão realizadas no dia 18, não houve mudanças nas novas pesquisas de opinião divulgadas hoje. Chen Shui-bian, candidato do opositor Partido Democrático Progressista, tem 25% das intenções de votos, segundo pesquisa da tevê a cabo TVBS.
O estudo foi conduzido na terça-feira, um dia após a China ter ameaçado atacar Taiwan se a ilha continuar adiando indefinidamente as negociações para uma reunificação com o continente.
A sondagem da TVBS, uma das principais tevê a cabo de Taiwan, indicou que o apoio ao candidato independente James Soong é de 26%. O vice-presidente Lien Chan, do governista Partido Nacionalista, tem 21% das intenções de voto.
O candidato independente pediu hoje aos EUA e Japão que desempenhem um papel mais ativo para melhorar as relações entre Taipé e Pequim. Soong, o favorito para assumir a presidência taiwanesa, indicou que Taiwan nunca aceitará a proposta chinesa de reunificação por meio da fórmula "um país, dois sistemas" pois passariam a ser um mero governo provincial, apesar de a China ter assegurado à ilha uma maior autonomia e concessões "especiais".





