China critica Dalai Lama em véspera de aniversário
Pequim, 09 (AE-REUTERS) - Na véspera do aniversário de 40 anos de um levante antichinês no Tibete, Pequim volta a expressar hoje (09) seu desprezo pelo exilado Dalai Lama tibetano e insistiu que ele era insincero a respeito de um diálogo.
A principal autoridade do Tibete, Raidi, fez duras críticas ao prêmio Nobel da Paz de 1989, classificando-o de um "separatista" e um "instrumento leal usado por forças anti-China".
"O Dalai Lama não deseja negociar. Ele tem medo de negociar", afirmou Raidi numa entrevista coletiva durante um encontro do Congresso Nacional do Povo, ou parlamento, em Pequim.
O presidente Jiang Zemin surpreendeu críticos de Pequim em junho último durante uma visita do presidente dos EUA, Bill Clinton, à China, ao propor conversações com o Dalai Lama, mas com a condição de que ele reconhecesse que o Tibete e Taiwan são partes da China.
Desde então, o Dalai Lama tem dito que tentativas nos bastidores para abrir canais de comunicação com Pequim foram frustradas.
O Dalai Lama fala de autonomia, não de independência, para a região do Himalaia.
Esta quarta-feira marca o 40º aniversário de um levante armado separatista no Tibete, durante o qual milhares de tibetanos morreram combatendo tropas comunistas chinesas.
O Dalai Lama e a maioria de seus ministros fugiram durante as lutas em 17 de março e estabeleceram um "governo no exílio" na Índia.
Nos preparativos para o aniversário, a China intensificou um campanha de propaganda para enfatizar a melhoria das condições de vida dos 2.5 milhões de habitantes do Tibete sob o regime comunista chinês.
O objetivo é contrastar a vida no moderno Tibete - com estradas asfaltadas, eletricidade, escolas e bens de consumo - com o atraso, a escravidão e o feudalismo sob o regime do Dalai Lama.
Raidi disse que o Dalai Lama "não fez uma única coisa boa que seja para o povo tibetano".
"Ele é o representante chefe de um sistema feudal e de servidão. Sob seu regime, o povo era reduzido ao status de animal", afirmou Raidi.
"O Dalai Lama é inconstante. Algumas vezes ele diz que deseja negociar, algumas vezes ele diz que não deseja", afirmou Raidi. "Ele tem duas caras".
Críticos do controle do Tibete pela China dizem que Pequim tem destruído sistematicamente a cultura tibetana e torturado monges que apóiam o Dalai Lama. Eles afirmam que ondas de imigrantes chineses tem transformado a capital, Lhasa, numa banal cidade de aparência chinesa.
Estatísticas chinesas pintam um outro quadro, mostrando a expectativa de vida aumentando nos últimos 40 anos - de 35 para 66 anos - a produção de grãos crescendo e 81.3% das crianças em idade escolar nas salas de aula.
Esta semana, a agência oficial de notícias Xinhua classificou o Dalai Lama de "a maior fonte de distúrbios sociais no Tibete assim como o maior obstáculo ao estabelecimento da ordem normal no budismo tibetano".
Segunda-feira marcou o 10º aniversário da imposição por Pequim da lei marcial em Lhasa, seguindo-se a três dias de distúrbios antichineses.
Estima-se que 50 tibetanos foram mortos a tiros pela polícia durante os incidentes, e a lei marcial foi mantida em vigor por mais de um ano, até 1º de maio de 1990.





