China ameaça utilizar força contra Taiwan
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Barbara Alighiero 
Pequim, 21 (AE-ANSA) - A China comunista elevou o tom das ameaças contra Taiwan, prevendo inclusive o uso da força se a ilha nacionalista, que em menos de um mês terá sua segunda eleição presidencial livre, não iniciar negociações sobre uma reunificação.
O ataque a Taiwan, por enquanto apenas verbal, chegou com um "livro branco" sobre a questão divulgado hoje (21) em Pequim, que não traz nada novo além de uma maior pressão para que a ilha aceite o diálogo.
A reunificação pacífica - oferecida por Pequim com base no modelo da já aplicado nas ex-colônias de Hong Kong e Macau - manteria intacto o sistema capitalista, apesar de estar sob bandeira comunista, e continua sendo a solução ideal, segundo o documento.
Mas Pequim não pode excluir o uso "de todos os meios possíveis, inclusive a força" contra a independência, uma ocasional invasão estrangeira ou - e esta é a única novidade - se Taiwan seguir rechaçando uma negociação sobre a reunificação.
A questão "não pode ser postergada por tempo indeterminado", adverte o documento, enquanto na ilha os 22 milhões de habitantes se preparam entre música e dança para a eleição do presidente da "República da China", o segundo eleito livremente desde que o governo nacionalista se refugiou em Taiwán após ser derrotado pelos comunistas em 1949.
Pequim não ofereceu nada de novo a Taiwan, não fala sobre compromissos e ratifica posições bem conhecidas: a ilha é parte integrante do território e não podem existir duas Chinas.
Mas do outro lado do Estreito de Formosa, a apenas 250 quilômetros, o povo mudou e, à medida que fala uma língua cada vez mais distinta do chinês mandarim de Pequim, afasta-se mais ainda da "pátria mãe".
Se independência é uma palavra evitada até pelo Partido Progressista, que fez dela sua bandeira ao nascer, nos anos 80, o status quo e a autonomia de fato da ilha já parecem ser uma aspiração comum para a maioria dos taiwaneses.
Pequim sabe disso, como sabe que o tempo joga contra a reunificação, e que Taiwan está em uma posição estratégica muito importante para deixá-la para os Estados Unidos, que ajudou os nacionalistas, ou para o Japão, que a ocupou até a Segunda Guerra Mundial.
Em 1996, a China dominou as eleições em Taiwan para evitar possíveis esforços independentistas, ajudando na vitória de Lee Teng-hui, hoje acusado de trabalhar na criação de duas Chinas.
Os mísseis de Pequim, respondidos com um alinhamento de porta-aviões dos Estados Unidos, desencadearam a pior crise no estreito desde os anos 50. Por enquanto, a China se limita a palavras, esperando as reações dos três candidatos à presidência de Taiwan.


