China acusa Estados Unidos de distorcer os fatos
Pequim, 30 (AE-AP) - As resoluções aprovadas no Congresso norte-americano lembrando o décimo aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial são parte de um esforço para desestabilizar a China e prejudicar as relações sino-americanas, disse neste domingo (30) um funcionário chinês.
Na próxima sexta-feira será completado o décimo aniversário dos protestos na Praça da Paz Celestial, violentamente reprimidos por forças militares, deixando centenas de mortos e encerrando sete semanas de manifestações populares em Pequim.
O governo não permite debates públicos sobre os acontecimentos de 4 de junho de 1989 e a imprensa oficial menciona o ocorrido em pouquíssimas ocasiões.
A declaração formulada hoje por um importante funcionário da Comissão para Assuntos Exteriores do Congresso Nacional Popular, que não foi identificado, é um indício de que o governo empreendeu uma campanha para evitar atos de lembrança. Além disso, vários dissidentes já foram detidos e diversos pedidos para efetuar atos de recordação foram rechaçados.
O funcionário criticou as resoluções adotadas na semana passada pela Câmara dos Representantes e pelo Senado dos Estados Unidos, que apoiavam as vítimas dos distúrbios na Praça da Paz Celestial, condenavam os abusos aos direitos humanos na China e reclamavam a libertação de prisioneiros políticos.
A declaração chinesa acusava os legisladores norte-americanos de "distorcer caprichosamente fatos históricos", promover sentimentos contra a China, tentar desestabilizá-la e obstruir as relações com os Estados Unidos, informaram a agência de notícias estatal Nova China e o noticiário da televisão.
Pedir à China que forme um comitê investigador e reavalie os protestos é "demasiado arrogante" e "fadado ao fracasso", dizia a declaração.
Ela dizia também que os críticos norte-americanos tentam "impor seu sistema social e seus conceitos de valores sobre outros países para cumprir sua missão de controlar o mundo exclusivamente".
Pequim acusa os Estados Unidos de tentarem dominar o mundo desde que mísseis da Otan atingiram a Embaixada da China em Belgrado, em 7 de maio. A aliança insiste que foi um erro.





