Pequim, 05 (AE-AP) - A China abriu seu sistema bancário para as instituições estrangeiras, em uma iniciativa interpretada pelos banqueiros como um gesto de boa vontade para permitir que o país ingresse na Organização Mundial de Comércio (OMC). Ao expandir o programa piloto que começou a dois anos e meio, o governo permitirá que os bancos estrangeiros realizem transações com o yuan, a divisa local, nas províncias de Jaingsu, Zhejiang, Guangdong e Hunan, além da região autônoma de Zhuang. Até agora, apenas os banco autorizados em Xangai e Shenzen podiam negociar com o yuan.
De acordo coma agência de notícias Xinhua, o Banco (central) Popular da China, também removerá as restrições ao uso da divisa local nos empréstimos inteterbancários e na organização de consórcios comandados por instituições bancárias estrangeiras. Hunan e Guangxi são regiões pobres do país, com poucos atrativos para os bancos estrangeiros, mas muitos banqueiros internacionais interpretaram a medida como um gesto de boa vontade.
"Acredito que isso seja um sinal para os Estados Unidos, de que o país está realmente abrindo seu setor financeiro", afirmou Frederic Cho, representante do Skandinavisha Enskilda Bankan AB em Pequim. Segundo ele, seria mais lógico que as autoridades chinesas permitissem a operação de bancos estrangeiros em cidades como Tianjn ou Dalian, que têm uma presença externa maior. DESVALORIZAÇÃO - O economista chefe do Morgan Stanley Dean Witter, Stephen Roach, disse hoje que não se surpreenderia com a desvalorização do yuan. O ajuste administrado do câmbio em cerca de 15% seria, segundo ele, bem absorvido.
Há mais de um ano o mercado vem especulando sobre a provável desvalorização da divisa chinesa, mas as autoridades locais deixaram claro que isso não ocorreria no ano passado. Na avaliação de alguns economistas, o ajuste só deverá ocorrer depois que as autoridades conseguirem desatar o nó das dívidas das estatais, de modo a evitar maiores problemas.
Hoje, um jornal de Hong Kong informou que a China tem planos para retomar as negociações com os EUA, para o ingresso do país na OMC, até o fim de agosto. Essa iniciativa permitiria que as duas partes obtivessem um acordo antes da próxima reunião do Fórum de Cooperação Econômica ásia-Pacífico (Asean), na Nova Zelândia, em meados de setembro, quando o presidente norte-americano Bill Clinton deverá encontrar-se com o líder chinês Jian Zemin.
Os bancos estrangeiros em Xangai e Shenzem têm permissão para realizar transações em yuans apenas com empresas e cidadãos estrangeiros. Até agora, esses bancos continuavam impedidos de atuar no promissor mercado local, que a China pretendia manter como reserva para as instituições bancárias locais. "Os bancos estrangeiros tinham poucas possibilidades de lucrar", disse Cho de modo diplomático ao citar as limitações até agora existentes.

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