China abranda o tom para ver o que Taiwan fará19/Mar, 18:09 Taipé, 19 (AE-AP) - Um dia depois da estrondosa vitória do candidato separatista, Chen Shuin-bian, nas eleições presidenciais de Taiwan, o governo chinês abandonou hoje (19) o tom ameaçador que adotara durante a campanha na ilha e anunciou que "esperará para ver" o que o novo líder dirá e fará. Apesar da reação moderada da China ter suavizado o clima de tensão da última semana no território taiwanês, analistas financeiros esperavam hoje com ansiedade a abertura do pregão hoje na Bolsa de Taiwan enquanto o governo local adotava algumas medidas para evitar a queda acentuada do valor das ações. O ministro das Finanças, Paul Chiu, fez um apelo por calma e garantiu que não permitirá a queda das cotações abaixo de 3,5% nas próximas duas semanas. Mas analistas prevêm que elas despencarão até 7% por um dia ou dois. A posição conciliadora da China foi transmitida ontem pela agência de notícias Xinhua. "Estamos ouvindo as palavras, observando as ações do novo dirigente de Taiwan e aguardando com interesse para ver que direção tomarão as relações através do estreito ", informava o comunicado. "Estamos dispostos a trocar pontos de vista com todos os partidos, organizações e pessoas de Taiwan que estejam a favor do princípio da existência de uma China", frisava, porém, a nota. Analistas políticos chineses mais próximos do Partido Comunista já defendem a tese de que os 61% de eleitores que não votaram em Chen são contrários à independência. Logo após anunciado o vencedor, ontem, a China alertara que o resultado não mudava "o status da ilha como território chinês" e "a independência de Taiwan jamais será tolerada". No mês que precedeu a eleição, Pequim advertiu duramente que não toleraria nenhuma tentativa de tornar Taiwan independente - numa mensagem clara aos eleitores para que não votassem no oposicionista Chen, do Partido Democrático Progressista. Chen obteve 39% dos votos, o dissidente nacionalista James Soong, 37%, e o candidato do governo (dos nacionalistas do Kuomintang), Lien Chan, apenas 23%. De todos os candidatos, Chen era o mais indesejável para Pequim por causa da plataforma separatista de seu partido. Foi a primeira derrota do Kuomintang desde 1949, ano em que o general Chiang Kai-chek se refugiou na ilha após ser derrotado por Mao Tsé-tung (ler ao lado). No discurso de vitória, na noite de ontem, Chen reiterou sua rejeição à fórmula chinesa de "um país, dois sistemas" - adotada na reintegação de Hong Kong e Macau à China -, mas também procurou esfriar os ânimos com propostas como a de fazer uma visita oficial a Pequim, receber em Taipé o primeiro-ministro da China, Zhu Rongji, e estabelecer uma polícia de cooperação e diálogo com seu colega chinês, Jiang Zemin. Na campanha, Chen não foi incisivo na questão da independência.