Chile revela documentos que provam a existência da Operação Condor
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
por Gustavo González, da IPS (assinatura obrigatória) 
Santiago (AE-IPS) - O prefeito e coronel reformado Cristián Labbé reconheceu nesta semana que pertenceu à polícia de repressão da ditadura do General Augusto Pinochet (1973-90) no Chile, após a publicação de documentos oficiais que provam a existência da Operação Condor.
Labbé, direitista prefeito do município santiaguiano de Providência, disse dos Estados Unidos ao vespertino La Hora que foi membro da Direção de Inteligência Nacional (DINA) como primeiro chefe responsável pela segurança de Pinochet.
A vinculação do juiz ao primeiro corpo da polícia secreta da ditadura apareceu em documentos oficias da época do governo militar, encontrados na chancelaria e que foram levadas à público na última terça-feira pelo diário estatal La Nación.
Trata-se de uma série de cartas e ofícios reservados que ratificam que o chefe da DINA - o agora general reformado Manuel Contreras - criou a Operação Condor para coordenar os corpos repressivos ditatoriais na América do Sul nos anos 70.
"Os documentos sobreviveram à destruição de arquivos realizada na chancelaria pouco antes de Patricio Aylwin assumir a presidência do país, em março de 1990", que marcou o fim do governo ditatorial de Pinochet, indicou o La Nación.
Na Operação Condor, participaram organismos repressivos da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, segundo denúncias ratificadas com a descoberta de um volumoso arquivo em 1992, em Assunção, quando o ditador paraguaio Alfredo Stroessner foi deposto.
As violações de direitos humanos cometidas através desse operativo serviram de base para a abertura na Espanha de processos por crimes contra a humanidade contra as antigas ditaduras do Chile e da Argentina (1976-83).
A partir desses processos, concentrados desde 1998 no juiz Baltasar Garzón, foi possível a prisão de Pinochet em Londres, em 16 de outubro. Desde então, o ex-ditador enfrenta um processo de extradição para a Espanha.
Exilados chilenos tornaram público há cerca de 20 anos a carta com que Contreras convidou, em 1976, chefes da polícia de repressão de outros países para a "Primeira Reunião Interamericana de Inteligência Nacional", que deu início à Operação Condor.
A ata da reunião realizada em 1976 é mencionada nos documentos divulgados pelo jornal La Nación, que consiste basicamente em ofícios secretos da DINA e da chancelaria para facilitar o envio de agentes repressivos a outros países.
Entre os papéis figura uma comunicação de 2 de dezembro de 1974 em que Contreras pede um passaporte diplomático para Labbé e outros militares como "pessoal da DINA", para o cumprimento de "uma urgente comissão no Peru".
Nas declarações que concedeu ao La Hora da Califórnia, onde encontra-se em férias, Labbé disse que "efetivamente" pertenceu à DINA como primeiro responsável do corpo de escoltas do ex-ditator Pinochet.
O prefeito acrescentou que em tal condição teve de acompanhar o general à assinatura da Carta de Ayacucho e a uma reunião em Lima com mandatários de países identificados com os destacados Simón Bolívar e José de San Martín.
Pinochet desistiu de comparecer a esse encontro quando soube que o então chanceler cubano Raúl Roa também participaria do mesmo. Assim, Labbé e seus homens encarregaram-se da segurança do ministro de Relações Exteriores, o almirante Patricio Carvajal.
Segundo Labbé, os documentos divulgados pelo jornal La Nación "não demonstram a existência do Plano Condor", mas somente parte de uma "campanha" da coalização governante de centro-esquerda inspirada "em um ânimo revanchista para dividir o país".
O prefeito direitista acrescentou que a revelação do diário estatal "pode em algum momento tentar contra a segurança nacional", já que trata-se de "documentos secretos" referentes ao Peru, país que faz fronteira com o Chile.
Labbé que foi vice-ministro da Secretaria Geral do governo na fase final do período Pinochet, conquistou o cargo de prefeito de Providência, um dos municípios mais ricos de Santiago, com o apoio do partido direitista União Democrática Independente.
Este coronel reformado tem uma estreita amizade com Pinochet. Tendo visitado o general em duas ocasiões em seu local de prisão domiciliar em Londres. É um dos que mais ativos líderes da campanha em favor do ex-ditador.
Depois da prisão de Pinochet, Labbé passou a fazer represálias contra as sedes diplomáticas da Grã-Bretanha e Espanha e outras entidades vinculadas a esses países localizadas em seu município. Tais como, não recolher o lixo e aplicando multas por supostas contravenções de ordens municipais.


