São Paulo, 27 (AE) - Pela quinta vez consecutiva em menos de quatro meses, o Chile baixou hoje (27) a sua principal taxa de juro, de 7,80% para 7,25%.
De acordo com o Banco Central chileno, o objetivo da medida é reativar a economia, que se encontra em "recessão técnica", e para enfrentar a alta do desemprego, que aumentou de 7,2% para 7,8%. A medida foi uma surpresa para o mercado.
A atividade econômica no último trimestre do ano passado, por exemplo, deve ficar negativa, entre 1,5% e 2,0%. A previsão para o primeiro trimestre deste ano também é negativa, entre 0,5% e 1,0%. Se os dados preliminares do BC se comprovarem, serão dois trimestres consecutivos em queda da atividadade econômica chilena, em consequência da forte alta de juros promovida pela autoridade monetária para enfrentar a crise asiática e, depois, a russa.
Em janeiro do ano passado, por exemplo, os juros no Chile estavam em 6,5%. Em setembro, quando a Rússia decretou moratória, o BC fez subir a principal taxa de juro (internacária) para 14%. Em apenas dois meses (outubro e novembro), a duplicação da taxa provocou o que os setores econômicos chilenos chamam de recessão técnica. Espera-se que até meados deste ano a taxa volte a para o patamar do iníio de 1998.
De acordo com institutos independentes, a taxa de desemprego no Chile já passa de 10%. Atualmente, cerca de 420 mil trabalhadores se encontram desocupados.
Sem a reativação econômica, o desemprego pode afetar meio milhão de pessoas, segundo esses institutos.
Até 1997, o crescimento econômico chileno se mantinha no patamar de 7,5%, mas a crise asiática, que se intensificou em outubro daquele ano, e as recentes turbulências internacionais, conseguiram reduzir siginificativamente as expectativas de expansão do Chile. A situação se agravou mais ainda quando o BC praticamente duplicou a taxa de juro para enfrentar os efeitos das turbulências dos mercados financeiros.
Hoje, a maioria dos economistas chilenos é unânime ao afirmar que não há mais motivo para adiar a redução das taxas de juros, ja que os efeitos do ajuste vêm provocando recessão e aumento do desemprego.

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