Chile pede extradição de sequestrador de Olivetto
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Fábio Portela Agência Folha 
São Paulo - O governo chileno decidiu pedir a extradição de Maurício Hernandez Norambuena, líder da quadrilha que manteve o publicitário Washington Olivetto em cativeiro por 53 dias. A informação foi confirmada ontem pelo embaixador do Chile no Brasil, Carlos Eduardo Mena.
O pedido já foi feito pelo governo chileno à Suprema Corte, instância máxima do poder Judiciário no país. Se a Justiça acatar o requerimento, como parece provável, o texto será encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), no Brasil.
O pedido se baseia em uma condenação à prisão perpétua de Norambuena recebeu em 1991 pelo assassinato do senador chileno Jaime Guzmán. A pena foi cumprida até 1996, quando Norambuena conseguiu fugir do presídio onde estava detido usando um helicóptero.
O presidente do STF, ministro Marco Aurélio Mello, declarou ontem pela manhã que, caso a Justiça chilena confirme o pedido de extradição, o Brasil provavelmente irá acatá-lo.
Já o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Rubens Aprobatto Machado, acredita que o chileno primeiro precisa ser julgado pelo crime que cometeu no Brasil o sequestro de Olivetto antes de ser entregue à Justiça de outro país.
O Chile já se dispôs a colaborar nas investigações que estão sendo realizadas pela polícia brasileira. Um grupo de policiais chilenos viajou ontem para o Brasil para ajudar na identificação dos integrantes da quadrilha de sequestradores.
A medida é necessária porque ainda pairam dúvidas sobre a identidade deles. Ao serem presos, os sequestradores alegaram que eram argentinos, mas suspeita-se que a informação seja falsa. Por enquanto, a polícia de São Paulo só tem certeza sobre o nome de um dos criminosos, justamente Maurício Hernandez Noranbuena, que liderou a operação.
Interpol - A Polícia Internacional (Interpol) vai centralizar suas investigações nas coincidências existentes entre os sequestros do publicitário Washington Olivetto, no ano passado, com os do banqueiro Beltran Martinez, do também publicitário Geraldo Alonso Filho, e dos empresários Abílio Diniz e Luiz Salles, na década de 90. Fontes da Interpol brasileira afirmaram que os grupos podem ser os mesmos, ou terem ligações entre si, apesar da diferença de datas dos crimes. Um fato intriga autoridades é que apenas Maurício Hernández Norambuena, suposto chefe do grupo, deu sua identidade verdadeira. Sabemos apenas quem é ele. Os demais, ainda estamos levantando quem são, afirmou a fonte.


